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Ramos Horta insta Governo a alocar orçamento adequado ao setor agrícola

Ramos Horta insta Governo a alocar orçamento adequado ao setor agrícola

Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos Horta. Foto da Tatoli/Francisco Sony.

DÍLI, 25 de outubro de 2023 (TATOLI) – “O Governo precisa de prestar atenção e alocar um orçamento adequada ao setor agrícola em Timor-Leste para garantir uma produção autossuficiente de arroz e, desse modo, não depender mais de produtos importados do estrangeiro”. Esta declaração foi proferida pelo Presidente da República, José Ramos Horta quando inquirido a respeito das expetativas para o orçamento geral do Estado para o próximo ano.

“Nos últimos 20 anos, o Governo não destacou o setor agrícola como prioridade nacional através da alocação de um orçamento adequado para garantir e aumentar a produção do arroz”, argumentou Ramos Horta. Segundo o Chefe de Estado, Timor-Leste continuará a deparar-se com o problema da fome, enquanto o Governo não priorizar o setor agrícola. Atualmente, Timor-Leste depende totalmente do arroz importado. Por isso, o Presidente da República assegurou que vai verificar se “o Orçamento Geral do Estado de 2024 incentiva os agricultores ou não e apoia o plano prioritário do ministério ou não”.

ʺEnquanto o mundo enfrentar o problema mundial da fome, prejudicará sempre a alimentação no nosso país relativamente ao preço do arroz, pois não há alternativa em Timor-Leste”, referiu Ramos Horta. Além disso, o Chefe de Estado solicitou ao Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas que crie uma política adequada para se desenvolver melhor a agricultura e apoie os agricultores para garantir uma produção adequada às necessidades de consumo nacional.

Por sua vez, o Ministro da Agricultura, Pecuária, Pesca e Florestas (MAPPF), Marcos da Cruz, assumiu  que o Governo vai priorizar o setor agrícola, nomeadamente na melhoria das infraestruturas básicas dos sistemas da irrigação para não abandonar as várzeas, na distribuição dos tratores agrícolas, na capacitação dos técnicos ou extensionistas bem como nos agricultores para contribuírem para o aumento da produção tanto arroz como milho em Timor-Leste.

ʺReconhecemos que a menor produção do arroz foi consequência da destruição de sistemas de irrigação no país. Atualmente o Governo desenvolveu vários projetos de irrigação por exemplo em Oebaba, no Município de Covalima, Raibere, no Município de Ainaro e Karau Ulun, no Município de Manufahi, mas alguns dos nossos agricultores não têm vontade de trabalhar, referiu Marcos da Cruz

Os resultados dos Censos Agrícolas de 2019 revelavam que 141.141 famílias timorenses viviam da agricultura, o equivalente a 66% dos 213.417 que totalizavam o número de agregados familiares. O mesmo documento dava também conta que aqueles agregados familiares ocupavam apenas cerca de 216 hectares de áreas cultivadas, enquanto 3.070 hectares de áreas de cultivo pertencem a 597 instituições. Os resultados dos censos mostravam que dos 509.226 hectares correspondentes à área total bruta de cultivo, apenas 18% eram aproveitados para a cultura de milho e somente 7,6% para a produção de arroz. Segundo o documento, além da produção agrícola reduzida de milho e arroz, os agricultores timorenses aproveitavam somente 7,4% da área de cultivo para a mandioca e 6,3% para o café.

Notícia relacionada: Vicente Correia: O desenvolvimento do setor agrícola em Timor-Leste ainda é tradicional

Jornalista: Domingos Piedade Freitas

Editora: Isaura Lemos de Deus

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