DÍLI, 24 de outubro de 2023 (TATOLI) – Nas últimas duas décadas, o impacto das alterações climáticas tem sido uma ameaça constante para Timor-Leste. Sendo um pequeno país insular, Timor-Leste está frequentemente a sofrer dos efeitos das alterações climáticas que colocam em risco as reservas de água potável, a produção agrícola e a segurança alimentar, a saúde pública, o bem-estar humano, a biodiversidade e a resiliência das infraestruturas públicas e privadas.
Para além de ser um Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento (PEID), Timor-Leste tem também o estatuto de País Menos Desenvolvido (PMD). Estes dois estatutos definem Timor-Leste como um país vulnerável e elegível para aceder aos mecanismos financeiros disponíveis do fundo de alterações climáticas, com o objetivo de reforçar a capacidade de adaptação e as medidas de mitigação das consequências daquelas.
A este propósito, a Autoridade Nacional Designada para o Combate às Alterações Climáticas (AND), do Ministério do Ambiente, promoveu um seminário, com o tema Reflexões sobre a Eficácia da Mobilização de Fundos para as Alterações Climáticas e Oportunidades de Investimento da Agricultura Descarbonizada em Timor-Leste.
O responsável da tutela, Pedro Godinho da Costa, disse que o seminário envolveu parceiros nacionais e internacionais para explorar e debater atividades relacionadas com investimento em agricultura descarbonizada, que permite ao setor privado envolver-se em novas oportunidades para capturar o potencial dos futuros mercados de carbono. A este propósito, desde 2008 Timor-Leste tem recebido um apoio financeiro do Fundo Climático Verde (FCV) e do Fundo Global para o Ambiente (FGA) das Nações Unidas no valor de 160 milhões de dólares, para implementar programas de prevenção dos efeitos das alterações climáticas.
“Para garantir a eficácia da mobilização de fundos e da produção de carbono de modo a produzir um impacto positivo no país, convocamos esta atividade que envolve todas as partes interessadas relevantes a refletir e partilhar perspectivas sobre o estado das alterações climáticas e as actividades de produção de carbono no país, bem como identificar estratégias acionáveis para mobilizar e utilizar os fundos climáticos de forma mais eficaz, inclusiva e sustentável”, informou Pedro da Costa aos jornalistas, em Fatuhada.
Sabino Fitun, Representante da Organização Não-Governamental Core Group – Timor-Leste (CORE Group-TL), que tem estado a supervisionar a implementação dos fundos climáticas verdes, afirmou que a AND e o PNUD conseguiram construir infraestruturas resilientes em zonas rurais que ajudam efetivamente as pessoas vulneráveis a aceder a serviços de apoio.
Desde a ratificação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (CQNUAC) em 2006, do Protocolo de Quioto em 2008 e do Acordo de Paris em 2016, Timor-Leste pode procurar apoio financeiro através da plataforma do Fundo Global para o Ambiente, do Fundo Verde para o Clima e do esquema de cultivo de carbono para apoiar iniciativas relacionadas com as alterações climáticas no país.
Notícia relecionada: Timor-Leste quer ser resiliente às alterações climáticas
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




