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POLÍTICA, INTERNACIONAL, DÍLI

Reafirmado apoio a Myanmar e ao seu governo oficioso

Reafirmado apoio a Myanmar e ao seu governo oficioso

Foto da Tatoli

DÍLI, 24 de agosto de 2023 (TATOLI) – O Governo de Unidade Nacional (NUG, em inglês) é a estrutura oficiosa do governo de Myanmar, estabelecida em 2021 na sequência do golpe de estado levado a cabo pela junta militar que presentemente gere os destinos daquele país.  É formado por políticos e ativistas que se opõem ao regime instaurado pelos militares.

Opostamente à junta militar que não obteve reconhecimento nem sequer do conjunto de países que forma a ASEAN, o NUG foi reconhecido como o Governo legítimo de Myanmar pelo Parlamento Europeu e estabeleceu gabinetes de representação nos Estados Unidos da América, no Reino Unido, na Noruega, em França, na República Checa, na Austrália e na Coreia do Sul.

Aung Myo Min é o Ministro dos Direitos Humanos do NUG e, dada a natureza violenta do regime da junta militar imposta a Myanmar, é aquele que tem tido algum protagonismo na luta diplomática pela restauração da democracia e pluralismo naquele país. Foi nessa qualidade que se reuniu com o Presidente da República, José Ramos Horta.Aung Myo Min, em declarações aos jornalistas, explicou a visita a Timor-Leste faz parte de uma demanda que visa agregar apoios internacionais. No caso concreto, esta visita pretende fazê-lo em relação aos estados-membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) embora, em geral o diplomata oficioso tenha em mente a procura de apoio de tantos países quanto possível para desempenharem um papel ativo na defesa dos direitos humanos da antiga Birmânia em fóruns regionais e internacionais.

“Na reunião, discutimos como o Executivo timorense pode apoiar o Governo de Unidade Nacional e o movimento democrático para proteger os direitos humanos em Myanmar”, disse Aung Myo Min, no Palácio Presidencial, após o término do encontro com José Ramos, em Díli.

De Ramos Horta, Aung Myo Min obteve resposta inequívoca que reafirma o apoio ao povo de Myanmar: “Estamos ao lado do povo de Myanmar contra o regime militar por violações e crimes contra a humanidade em todo o território do país”. É sabido que Ramos Horta liderou a frente diplomática quando Timor-Leste estava sob o jugo indonésio pelo que a posição do Chefe de Estado assume-se como natural.

O NUG tem obtido, em algumas ocasiões, afirmações de apoio que não deixam espaço para ambiguidades. Prova disso é a recente afirmação do Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, quando estabeleceu um nexo de causalidade entre a entrada de Timor-Leste na ASEAN e o restabelecimento da democracia em Myanmar. A ASEAN, por sua vez, tem extravasado vozes de apoio à instauração de uma democracia parlamentar e constitucional em Myanmar, enviado alguma ajuda humanitária. Todavia, a junta militar que governa aquele país tem-se manifestado irredutível apesar de algumas medidas avulsas tendentes a diminuir antipatias externas que não obtiveram acolhimento no plano internacional.

Recorde-se que no dia 01 de fevereiro de 2021, militares tomaram à força o poder em Myanmar  sob o pretexto de fraude nas eleições do ano anterior, que foram esmagadoramente vencidas pelo partido pró-democracia de Aung San Suu Kyi. Mais de 21 mil pessoas foram detidas desde o golpe militar que pôs fim ao processo democrático iniciado pelo Executivo eleito de Aung San Suu Kyi.

 Notícia relevante: Medidas da Junta Militar do Myanmar não convencem comunidade internacional: pedida à ASEAN mais intervenção

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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