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“Quem sabe gerir uma casa, saberá gerir um suco”: mulheres incentivadas a concorrer ao poder local

“Quem sabe gerir uma casa, saberá gerir um suco”: mulheres incentivadas a concorrer ao poder local

Deputada da FRETILIN Lídia Norberta

DÍLI, 09 de agosto de 2023 (TATOLI) — Dado que vão decorrer, em novembro, eleições para eleger os novos líderes locais, isto é, chefes de suco, as bancadas do PD, da FRETILIN e do CNRT destacaram a importância de haver mulheres candidatas aos cargos.

“Pedimos às mulheres timorenses que se candidatem a chefes de suco. É necessário que a participação das mulheres na vida política seja cada vez maior”, disse Maria Gusmão, deputada do PD, no Parlamento Nacional.

Na sequência, a parlamentar apelou ao povo que não discriminasse as mulheres que pretendam enveredar pela carreira política, acrescentando que o papel dos homens no desenvolvimento do país tem tanto peso como o das mulheres.

A mesma posição teve Lídia Norberta, deputada da FRETILIN, aludindo ao artigo 16.º da Constituição no qual é referido que todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres e ninguém pode ser discriminado com base na cor, raça, estado civil, sexo, origem étnica, língua, posição social ou situação económica, convicções políticas ou ideológicas, religião, instrução ou condição física ou mental.

“Também o artigo 17.º da Constituição refere a igualdade entre mulheres e homens: a mulher e o homem têm os mesmos direitos e obrigações em todos os domínios da vida familiar, cultural, social, económica e política, respetivamente”, acrescentou a deputada. É sabido, todavia, que o papel de gestão da economia doméstica (casa e família) está estruturalmente atribuído quase em exclusividade à mulher.

Já no tocante à participação na vida política, Lídia Norberta recordou o artigo 46.º, no qual é referido que “todo o cidadão tem o direito de participar, por si ou através de representantes democraticamente eleitos, na vida política e nos assuntos públicos do país”, bem como “tem o direito de constituir e de participar em partidos políticos”. “Encorajamos as mulheres a se candidatarem às eleições dos líderes comunitários”, resumiu a parlamentar.

Também a deputada do CNRT Cedelizia dos Santos, interveio, referindo que é necessário que haja candidatas femininas, a fim de se contribuir para a igualdade de género e de direitos.

A propósito do sufrágio de novembro próximo, vale a pela recordar que o chefe de suco é um líder comunitário eleito para dirigir as atividades no âmbito geográfico de uma divisão administrativa, envolvendo a maior fidelização possível do princípio da subsidiariedade, isto é, quanto mais uma medida tem impacto a nível mais relevante se torna. Os chefes de suco são os representantes democraticamente eleitos para tomar e implementar decisões que concorram para a satisfação das necessidade básicas locais (nas esferas da educação, de infraestruturas, da saúde, da economia local, etc.).

Ainda que estes representantes estejam, num Estado centralizado e sem grandes receitas localmente provenientes, cabe aos chefes de suco gerir orçamentos e tomar decisões no uso de recursos e bens que, devidamente diagnosticado, podem ter um impacto real no bem estar das populações. O seu trabalho de gestão, em última instância e dadas as devidas proporções, não está muito distanciado dos processos pelas quais mulheres (e mães) gerem a economia doméstica pelo que há um potencial a explorar via liderança das mulheres. “Quem sabe gerir uma casa, saberá gerir um suco”.

A aposta no género feminino não é, na opinião de Lídia Norberta e Cedelizia dos Santos, algo que deva ser escamoteado numa sociedade democrática, pluralista e igualitária.

Jornalista: Domingos Piedade Freitas

Editora: Isaura Lemos de Deus

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