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“Mulheres não são fábricas de produção de crianças”, diz representante do Fundo das Nações Unidas

“Mulheres não são fábricas de produção de crianças”, diz representante do Fundo das Nações Unidas

Representante do UNFPA, Presia Arifin-Cabo. Fotografia da Tatoli/Egas Cristovão.

DÍLI, 25 de abril de 2023 (TATOLI) – A representante do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA, sigla em inglês), Presia Arifin-Cabo, enfatizou que as mulheres não são um instrumento para produzir crianças. A forte declaração foi proferida no âmbito do lançamento do relatório do Estado da População Mundial 2023, que ocorreu na segunda-feira, na sala de conferências da Direção-Geral de Estatísticas (DGE), em Díli.

Intitulado Oito mil milhões de Vidas, Possibilidades Infinitas: o caso dos direitos e escolhas”, o estudo foi produzido pelo UNFPA.

Presia Arifin-Cabo lembrou que o crescimento da população mundial tem levado alguns países a adotar políticas que visam regular o fenómeno demográfico. Porém, alertou a responsável, as tentativas das autoridades de influenciar as taxas de fertilidade são frequentemente ineficazes e põem em risco os direitos das mulheres, nomeadamente a sua decisão de engravidar.

As mulheres não podem ser encaradas como um recurso para resolver a situação da população. Devem ser sempre tratadas com dignidade e respeito e ter o direito de decidir quantos filhos querem e se desejam, sequer, ter filhos, sublinhou a representante do Fundo.

Conforme o relatório, em pelo menos 68 países, 24% das mulheres não podem recusar relações sexuais e 11% dizem-se impedidas de tomar decisões específicas sobre métodos contracetivos.

No que diz respeito ao crescimento demográfico, PresiaArifin-Cabo destacou que em Timor-Leste existe uma preocupação com o futuro do país, porque se tem assistido a um aumento populacional significativo. Atualmente, a população timorense é de aproximadamente 1,3 milhões de pessoas.

A representante do Fundo observou que a realidade demográfica timorense deve obrigar os governos aprestar atenção à educação, emprego, justiça e saúde, sobretudo às políticas públicas para as mulheres.

Em Oé-Cusse, conheci uma mulher, magra, de rosto cansado e que, apesar dos seus 37 anos, tinha oito filhos. Podemos facilmente imaginar as enormes dificuldades que esta mulher terá para cuidar das crianças. O problema não é apenas o número de nascimentos numa família, mas as condições que as casas têm, o acesso a uma alimentação adequada e à educação, realçou Presia Arifin-Cabo.

Números Chave sobre o Estado da População Mundial 2023

Um inquérito em oito países mostrou que as pessoas expostas aos meios de comunicação ou a conversas sobre a população mundial são mais propensas a considerar que a população mundial é demasiado elevada.

Os dados relativos à população mundial também revelam que a demografia global está a mudar rapidamente: dois terços das pessoas vivem em ambientes de baixa fertilidade, enquanto oito países como República Democrática do Congo, Egipto, Etiópia, Índia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e República Unida da Tanzânia representam metade do crescimento populacional mundial previsto até 2050, mudando drasticamente a ordem dos países mais populosos do mundo.

O relatório ressalta que, dos oito mil milhões de habitantes do mundo, 5,5 mil milhões ganham cerca de 10 dólares por dia – um indicador que, de acordo com o estudo, demonstra que não são estas pessoas que estão a contribuir significativamente para as emissões de carbono e alterações climáticas.

Equipa da  TATOLI

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