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CONSSANTIL: 20% da população padece de insegurança alimentar aguda

CONSSANTIL: 20% da população padece de insegurança alimentar aguda

Ministro da Agricultura e Pescas, Pedro Reis. Fotografia Tatoli/Egas Cristovão.

DÍLI, 13 de janeiro de 2022 (TATOLI) – O Conselho Nacional de Segurança Alimentar de Timor-Leste (CONSSANTIL) e o Ministério da Agricultura e Pescas (MAP) divulgaram os resultados preliminares de um estudo, a Classificação Integrada de Fases (IPC, em inglês) que indicam que 20% da população timorense, o equivalente a 300 mil pessoas, padecem de insegurança alimentar aguda.

Pedro Reis, na qualidade do Presidente da CONSSANTIL afirmou que os dados foram recolhidos através da cooperação entre linhas ministeriais e parceiros de desenvolvimento, como o Programa Alimentar Mundial (PAM) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a fim de analisar a situação alimentar no país.

“Segundo o estudo, 20% da população enfrenta uma situação de insegurança alimentar. Vamos apresentar este relatório ao Governo para que aquele possa tomar as medidas adequadas. Estes dados tornar-se-ão em orientações para conhecermos a situação alimentar e tentar encontrar, nos próximos seis meses, uma solução para o grave problema da segurança alimentar em Timor-Leste”, afirmou o presidente, no âmbito do lançamento da IPC, em City 8, Manleuana, Díli.

Com a divulgação destes resultados, o IPC vai ajudar o Governo a tomar conhecimento dos dados sobre as exigências mínimas para uma dieta alimentar saudável e fazer os preparativos para recolher alimentos locais, de modo a responder à escassez de alimentos no país nos próximos seis meses.

Perante este propósito, Pedro dos Reis enfatizou que o ministério tem uma nova estratégia para produzir mais alimentos locais como o arroz, o milho e a mandioca, entre outros, para responder à situação de insegurança alimentar em Timor-Leste. “Em 2018, a produção de arroz atingiu apenas 48 mil toneladas, mas aumentou em 2021 para 86”.

Pedro Reis admitiu que a quantidade de alimentos produzidos nas últimas quatro décadas diminuiu em comparação com o ano de 2022, mas a produção local do arroz aumentou de 48 mil toneladas, em 2018, para 86 mil em 2022. Apesar do aumento ligeiro da produção em 2022, não se atingiu o objetivo de produzir o suficiente para o consumo interno em Timor-Leste.

“Temos cerca de 1,3 milhões de pessoas no país, e, com base nos dados registados pelo MAP, todos os anos consumimos mais de 131 mil toneladas do arroz, enquanto a produção local num ano recente atingiu apenas 86 mil. Este número não chega para atingir a autossuficiência”, disse o ministro.

Com esta produção insuficiente, Timor-Leste continua a importar anualmente 135 mil toneladas do arroz do estrangeiro para apoiar o consumo local.

Por sua vez, a representante nacional do Programa Alimentar Mundial (PAM), Cecília Garzon, disse que este relatório é muito importante para tomar conhecimento das necessidades de  consumo nacional em Timor-Leste e procurar uma solução para esta insuficiência.

“O PAM observou que 20%, ou seja, 300 mil pessoas da população timorense padecem de insegurança alimentar aguda. Atualmente, estamos coordenamo-nos com o Governo, especialmente com o Ministro da Agricultura e Pescas e outros ministérios relevantes, para apoiar o desenvolvimento do setor agrícola. Concentramo-nos, por isso, em dois pontos importantes, nomeadamente a segurança alimentar e a subnutrição”, disse.

Para desenvolver a agricultura e intensificar a produção alimentar local, o Governo, através do MAP, estabeleceu oito sistemas de irrigação em Baucau-Larisula e Maliana, em 2021.

Em 2022, o MAP lançou também dois sistemas de irrigação em Lospalos-Laivai com um orçamento de 8,5 milhões de dólares e em Galata com um montante de 11 milhões.

O governo emprestou também 81,5 milhões de dólares americanos do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) para instalação de infraestrutures de recolha, armazenamento e canalização de água, contribuindo para intensificar a produção de produtos locais em Timor-Leste.

Jornalista: Jesuína Xavier

Editora: Maria Auxiliadora

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