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Ecos do povo: “Continuamos a lutar por uma vida próspera”

Ecos do povo: “Continuamos a lutar por uma vida próspera”

Fotografia/GPM.

DÍLI, 28 de novembro de 2022 (TATOLI) – Até 1974, Timor-Leste era uma colónia portuguesa. Deixou de o ser na Revolução dos Cravos, em 25 de abril do mesmo ano, altura em que Portugal abandonou o território.

A 28 de novembro de 1975, a Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN) declarou unilateralmente a independência do país, proclamada por Francisco Xavier do Amaral, então nomeado Presidente da República. É considerado um momento crucial na história de Timor-Leste já que simbolizou um compromisso que desejava prosperidade para o povo timorense.

Celebra-se hoje o 47.º Aniversário da Proclamação da Independência de Timor-Leste sob o tema “Continuamos a lutar por uma vida próspera para o povo”.

As principais atividades estão a decorrer em Manatuto. O Governo timorense atribuiu um orçamento de aproximadamente 500 mil dólares americanos para um conjunto de atividades tais como competições desportivas, exposições de artesanato, gastronomia, discursos evocativos e uma cerimónia do içar da bandeira. Espera-se grande participação.

Quisemos saber o que ecoa na voz do povo. Um jornalista da Tatoli foi auscultar a voz popular  acerca do tema: “Continuamos a lutar por uma vida próspera para o povo”, visando obter  testemunhos sobretudo ligados a questões de educação, de saúde e de economia.

Agosto Mendonça, docente do Departamento de Economia e Gestão da UNTL. Fotografia/David Cabral.

Agosto Mendonça, docente do Departamento de Economia e Gestão da Universidade Nacional Timor-Lorosa’e (UNTL), manifesta a sua preocupação para com a falta de investimento em setores-chave. Agosto valoriza questões de índole económica.

“O governo deve investir em infraestruturas e em turismo para atrair mais investidores. Além disso, importa controlar os preços das mercadorias para não prejudicar os cidadãos, pois, atualmente, os preços dos bens estão fora de controlo”, advertiu.

Segundo o docente, apostar em setores-chave contribuirá para melhorar o rendimento dos cidadãos e favorecerá uma economia sustentável.

 

Eriquita Boavida, vendedora no mercado de Comoro. Fotografia/Rohim Putra.

Eriquita Boavida, 19 anos, estudante da Universidade de Díli (UNDIL) e também vendedora no mercado de Comoro, está preocupada com a falta de emprego. Eriquita sublinha a importância de o Governo criar mais oportunidades de emprego para evitar o êxodo de jovens. Na sua opinião, os timorenses podem “ganhar mais dinheiro, se investirem nos setores com potencial económico, como a agricultura e as pescas”.

José da costa, Diretor-Adjunto da Escola do Ensino Básico Central do Farol. Fotografia/David Cabral.

José da Costa, Diretor-Adjunto da Escola do Ensino Básico Central do Farol, recordou que o objetivo da proclamação da independência era tornar Timor-Leste num país livre e soberano. “Lembro-me da expressão retirada do nosso hino nacional: ‘terra livre e povo livre’. Contudo, a realidade mostra o contrário, o povo ainda não está livre. Há muitos problemas com a educação: faltam professores especializados, as escolas estão sobrelotadas e não existem as mínimas condições de saneamento básico”, lamenta o diretor escolar.

Turibia Freitas, estudante do quinto ano de Medicina Geral da UNTL e estagiária no Hospital Nacional Guido Valadares, recorda que, desde o seu primeiro  ano de estágio, a maioria das unidades de saúde enfrentam uma escassez de equipamentos e de profissionais de saúde, o que faz com que alguns postos de saúde, como, por exemplo, o de Quelicai, estejam inoperantes.

Turibia Freitas, estudante do quinto ano de Medicina Geral da UNTL e estagiária no HNGV. Fotografia/Rohim Putra.

“Esperamos que os nossos governantes prestem atenção a este problema, [com soluções que vão] ao encontro das necessidades dos habitantes em áreas remotas, porque, quando acontece um acidente de viação naqueles locais, é difícil a ambulância transportar as vítimas para o hospital de referência”, lamentou Turibia. Mas Turibia tem esperança “Não desistiremos de esperar por uma vida melhor”.

Agosto, Eriquita, José e Turibia estão bem conscientes da situação que Timor-Leste enfrenta e, por isso, colocam a ênfase nos problemas e constrangimentos. Todavia, das suas faces e do modo como se exprimem, nota-se um ânimo de que o futuro pode ser melhor. Nota-se um desejo e uma atitude que conduz a uma ambição, aquela que exprime o eco popular: “Continuamos a lutar por uma vida próspera”. E, desta, “não desistiremos”.

Equipa da Tatoli

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