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Mulheres timorenses enfrentam machismo e lançam-se no mundo dos negócios

Mulheres timorenses enfrentam machismo e lançam-se no mundo dos negócios

Rosália abriu o seu café em Metiaut em 2018, quando tinha 23 anos e hoje emprega sete trabalhadoras. Fotografia/Arquivo pessoal.

DÍLI, 19 de novembro de 2022 (TATOLI) – Em Timor-Leste, há muitas mulheres que se sentem discriminadas por uma cultura de género, ainda muito presa à ideia de que “a mulher só trabalha na cozinha”. Porém, na realidade, todas querem ter uma carreira, não apenas para ganhar dinheiro, mas para evoluir, ter um papel importante na sociedade e ser independente. Em resumo: ser uma cidadã.

Quando, em 2018, Rosália Trindade, então com 23 anos, começou a vender saladas de fruta, muitas pessoas riram do seu desejo. “Alguns membros da minha família disseram que o meu negócio não sobreviveria, porque sou mulher”, disse. Entretanto, a empresária seguiu adiante, ciente de todos os desafios.

O café que a jovem administra em Metiaut, Díli, expandiu. Preocupada com outras mulheres que não têm acesso à educação e ao emprego, no seu negócio, emprega sete trabalhadoras. Para Rosália, a busca por trabalho em Timor-Leste é algo que prejudica mais as mulheres do que os homens.

“Por vezes, elas não têm confiança, pensam que não podem competir e acabam por desistir, para dar oportunidade a algum irmão. Isso acontece porque, em grande medida, as famílias timorenses educam as mulheres para serem submissas aos homens”, argumentou.

Contudo, mesmo diante de um cenário adverso, as mulheres de Timor-Leste têm rompido com os paradigmas machistas e se lançado no mundo dos negócios. De acordo com os dados do relatório do Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial (IADE) de 2020 a 2022, de 547 empresários no país (excluindo Raeoa), 59% são do sexo feminino.

Como forma de reconhecer os esforços das mulheres na busca por igualdade, a Organização das Nações Unidas (ONU) passou a celebrar, desde 2014, a data de hoje como sendo o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino.

Protagonismo feminino

Com o seu negócio, Rosália ainda consegue ajudar toda a família e custeia os estudos de alguns irmãos, além de incentivá-los a também serem empreendedores.

A jovem empresária Armandina Figueira: “quando trabalhamos como queremos, ficamos mais confiantes nas nossas capacidades”. Fotografia/Arquivo pessoal.

Já Armandina Figueira, 26 anos, vislumbrou durante a pandemia uma oportunidade para ganhar um dinheiro extra: decidiu vender pizzas pela internet.

Começou com um investimento de 25 dólares e logo percebeu que conseguia lucrar, no mínimo, 30 dólares por dia nos fins de semana. A ideia deu tão certo que até hoje a empresária mantém o negócio, chegando a faturar mais de 100 dólares, entre sábados e domingos.

“Eu também ajudo os meus irmãos que estão a estudar na universidade”, realçou. Armandina confessou que esta atividade é muito boa para as pessoas que querem ter algum dinheiro extra, contudo, “é preciso trabalhar a sério”.

Na sua avaliação, para se ser uma boa mulher de negócios, é preciso, sobretudo, ter iniciativa e alguma capacidade de gestão. Para a empresária, “quando trabalhamos como queremos, ficamos mais confiantes nas nossas capacidades e satisfeitas com os resultados”.

Armandina acredita que os negócios pela internet em Timor-Leste configuram um mercado  cada vez maior, porque muitas pessoas encontram facilmente os produtos.

“Sinto orgulho, porque tenho visto que muitas pessoas têm competido no mercado empresarial e através das redes sociais. Isto é um bom sinal para os negócios em Timor-Leste”, observou.

Pensamento visionário e criativo

Tanto Rosália como Armandina são exemplos de mulheres que não se conformaram com o sistema estabelecido e foram atrás dos seus sonhos.

“Acredito que o que fazemos agora, pode trazer bons resultados no futuro. acredito em nós próprias, mas também temos de trabalhar como uma equipa organizada, porque são os nossos empregados que contribuem para melhorar a qualidade do nosso negócio como um todo”, afirmou Rosália.

Na sua experiência, liderar um grupo requer compreender o comportamento de cada membro e aprender com os seus fracassos.

“Para ter sucesso, os líderes de grupo, especialmente as mulheres, devem ser visionárias, pensar de forma criativa, pensar que os planos se materializarão, estudar os interesses das pessoas, ter conhecimentos de marketing e ter muitas ideias para manter o negócio relevante e atrativo. Nós, mulheres, podemos tudo”, ressaltou.

Equipa da Tatoli 

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One Comment

  1. Muitos parabens mulheres de Timor. Dada a oportunidade, voces podem fazer o mesmo ou melhor que os homens, nao tenham duvida alguma. Com o passar dos anos e com pioneiras como voces, Rosalia e Armandina, o nosso rai doben Timor Leste, vai ter um futuro risonho. Os homens em Timor e pelo mundo fora tem muitas manias e como homem que sou digo-vos que eles se comportam dessa maneira porque tem receio da competicao das mulheres. Nao seria engracado se eles se engravidassem e tivessem filhos?
    Sofrer 9 meses de gravidez, sera que um dia vamos ter a oportunidade de ver aquele machismo?

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