DÍLI, 05 de novembro de 2022 (TATOLI) – O Presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, destacou a importância da cooperação mútua e de esforços conjuntos, no plano global, para fortalecer a paz e libertar as pessoas envolvidas em conflitos de escala nacional ou internacional, sobretudo de guerra ou de violação dos direitos humanos, a fim de contribuir para um processo que conduza à paz e ao desenvolvimento global.
O Chefe de Estado timorense enfatizou este desejo na mesa redonda “A Nova Ordem Mundial”, organizada pelo Secretariado Permanente da Organização Intergovernamental dos Países Afetados por Conflitos (g7+) em Lisboa, Portugal.
De acordo com o comunicado do Palácio Presidencial timorense, o laureado nobel da paz pediu aos Estados-Membros da ONU e às organizações interessadas que trabalhassem em conjunto para solicitar à Rússia que acabe com a guerra contra a Ucrânia de modo a não ter impacto na estabilidade económica mundial.
Ramos Horta, conhecido pela sua influência e experiência no domínio da paz e reconciliação nacional e internacional, apresentou também a sua perspetiva sobre um modelo de construção de um país resiliente com enfoque principal no desenvolvimento económico e social.
O Chefe de Estado timorense partilhou, na sequência, a sua experiência sobre os 24 anos de luta pela independência de Timor-Leste bem como o percurso histórico que se tornou num exemplo para o mundo na construção da paz entre o Estado e o povo, através de um processo de reconciliação que pacificou interesses e pessoas anteriormente em fações opostas.
Ramos Horta está também preocupado com a questão da fome em países como a República Centro-Africana, o Chade, o Congo, Madagáscar e o Iémen, mas com especial relevância no Burundi, na Somália, no Sudão do Sul e ainda na Síria, com níveis de fome alarmantes.
A este propósito, um relatório da OCDE de 2022 aponta ainda a existência de 60 nações numa situação de grande fragilidade e subdesenvolvimento económico e social.
De acordo com o Relatório sobre Segurança Alimentar e Nutricional 2022 da ONU, o número de afetados por desnutrição crónica atingiu, no ano passado, cerca de 825 milhões de pessoas.
O Secretário-Geral da g7+, Hélder da Costa, agradeceu ao Chefe de Estado timorense por partilhar a sua experiência e por alertar todos os países sobre a importância da paz e da reconciliação indicando o nome de Ramos Horta como tendo sido o impulsionador de “uma reflexão comum sobre a promoção da paz mundial”.
Além da delegação dos Estados-Membros da g7+, marcaram presença no seminário representantes da Finlândia, da Indonésia, da Austrália.
A g7+ é uma organização intergovernamental formada por países afetados por fragilidades e conflitos domésticos ou internacionalmente influenciados e unidos por um desejo de paz, de estabilidade e desenvolvimento no plano global. Entre os países da CPLP, a Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste são os únicos representantes na organização.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Maria Auxiliadora




