DÍLI, 26 de setembro de 2022 (TATOLI) – Um estudo do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) revelou que os métodos contracetivos garantem uma melhor gestão económica familiar, bem como do estado de saúde da mãe e do agregado familiar em geral.
Defendendo um planeamento familiar criterioso e cuidado, o UNFPA revelou esta posição a propósito da celebração do Dia Mundial da Contraceção, comemorado a 26 de setembro, tal como consta no comunicado de imprensa do UNFPA, a que a Tatoli teve acesso.
Joanzinha Gura da Costa tem 22 anos e é mãe de dois filhos. Ela é um caso exemplar a respeito da falta de conhecimento de uso dos contracetivos. Não teve acesso a consultas de planeamento familiar e, por isso, teve de interromper os seus estudos.
Recordou: “Casei-me no segundo ano do curso numa universidade privada em Díli onde o meu marido estudava também. Tinha 20 anos e tive de interromper os estudos por ter engravidado. As minhas filhas nasceram com menos de um ano de diferença”.
Segundo a jovem, as mulheres devem desenvolver-se, via cursos do ensino superior, para contribuir para o desenvolvimento do país.
“Fui ao Becora Community Health Center em setembro de 2020 para saber dos benefícios do uso do planeamento familiar e as opções disponíveis. Optei pelo método de injeções, como já não engravido, consegui voltar à universidade para continuar os meus estudos e poupar os recursos para a economia, a educação dos filhos e a nutrição”, afirmou.
Olímpia Pinto, por sua vez, é estudante e mãe de uma filha de dois anos. Ela considerou que o planeamento familiar melhora a qualidade da vida. “Decidimos usar as injeções do método do planeamento familiar, pois o meu marido ainda está na faculdade. Só queremos ter outro filho, quando ele terminar os estudos e conseguir um emprego, apesar de estarmos a sustentar a família com o meu negócio”, declarou.
De acordo com os dados do UNFPA, 257 milhões de mulheres no mundo não têm acesso a métodos de planeamento familiar seguros e eficazes. Doze milhões das mulheres perderam o acesso aos mesmos e, por isso 1.4 milhões encontram-se com gravidezes indesejadas em grande parte por causa da pandemia da covid-19.
Os dados do UNFPA revelam ainda que mais de metade das mulheres timorenses pretendem reduzir o número de gravidezes, mas uma em cada três mulheres com idade entre 15 e os 49 anos não têm acesso a consultas de planeamento familiar.
Jornalista: Jesuína Xavier
Editora: Maria Auxiliadora




