DÍLI, 14 de janeiro de 2022 (TATOLI) – O Decano da Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Paz (UNPAZ), Martinos Nahak Lino, realçou que dois dos principais problemas do saneamento na capital Díli são a má gestão e a falta de conhecimento dos cidadãos sobre a separação do lixo – orgânico e não-orgânico.
“Como académico da área da saúde pública, vejo como causas do problema dos resíduos em Díli a má gestão, devido à falta de controlo por parte das instituições do Estado relevantes, a insuficiência de lixeiras em contraste com o número de habitantes em Díli (quase 300 mil pessoas) e a falta de consciência da comunidade”, informou Martinos Nahak, à Tatoli, em Ussindo I, Díli.
O decano acrescentou que a autoridade municipal de Díli deve controlar os veículos de recolha de lixo de acordo com o horário estabelecido, aumentar o número de lixeiros e ser firme na implementação.
O docente considerou que a melhor forma de resolver o problema dos resíduos no país, sobretudo na capital, é construir um aterro sanitário e reciclar.
“A melhor maneira de reduzir o lixo é educar o público para separar os resíduos orgânicos dos não-orgânicos. Deste modo, os orgânicos podem ser transformados em fertilizantes e distribuídos pela comunidade agrícola, enquanto os não-orgânicos podem ser reciclados e transformados em produtos com valor económico”, sugeriu.
Martinos Nahak mostrou-se insatisfeito com algumas organizações não governamentais por não apoiarem a campanha do Governo na redução de lixo na capital.
“Temos várias ONGs, mas falam sempre de política e projetos. Ninguém ajuda o Executivo a prestar educação cívica e a sensibilizar o público para os efeitos negativos do lixo na saúde”, concluiu.
No que toca à saúde pública, o país regista atualmente um surto de dengue, pois o lixo contribui para esta doença.
O Ministério da Saúde (MS) pediu a toda a população no país que limpasse casas e bairros para a prevenção do surto de dengue.
O ministério mantém a fumigação e distribuição de larvicida pela comunidade e a participação dos residentes contribui para o sucesso no combate a esta doença.
De acordo com os dados do MS, o país regista atualmente 370 casos de dengue e cinco óbitos. A maioria dos casos foi detetada em Díli.
O MS começou a limpeza e sensibilização nos bairros de Díli para prevenir o dengue nas zonas de maior risco.
O Serviço de Saúde do Município de Díli (SSMD) registou, no ano passado, 672 pessoas com dengue e oito vítimas mortais.
Recorde-se que o Secretário de Estado do Ambiente, Demétrio do Amaral, tinha antes dito que, das cerca de 250 toneladas de lixo produzido por dia em Díli, apenas 45% é recolhido e despejado na lixeira de Tíbar.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Maria Auxiliadora




