DÍLI, 15 de abril de 2026 (TATOLI) – Os Estados Unidos da América (EUA), representados pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, acolheram esta terça-feira o primeiro encontro presencial entre Israel e o Líbano, com ambas as partes a classificarem as conversações como positivas, apesar de ainda não ser claro se será alcançado um acordo de paz.
O Líbano e Israel realizaram assim as primeiras conversações diplomáticas formais em décadas, com o objetivo de pôr fim aos confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irão.
Após o encontro, o Departamento de Estado dos EUA declarou que ambas as partes realizaram “discussões produtivas sobre passos rumo ao lançamento de negociações diretas”.
No início da reunião, Marco Rubio reconheceu que as conversações de terça-feira não resolveriam “todas as complexidades”, mas manifestou a esperança de que contribuam para a definição de um quadro de paz.
Antes do encontro, afirmou aos jornalistas que a reunião representa “um processo e que vai levar tempo”, acrescentando que se trata de “um encontro histórico que esperamos poder desenvolver”.
Por sua vez, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tommy Pigott, afirmou em comunicado que Israel e o Líbano concordaram em cooperar para reduzir a influência do Hezbollah.
Na mesma linha, o Embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, declarou, após a reunião, que o Governo libanês deixou claro que já não aceitará ser “dominado” pela milícia Hezbollah, recusando, contudo, comentar se Israel irá cessar os seus ataques ao Líbano.
Já a Embaixadora do Líbano, Nada Moawad, descreveu o encontro preliminar como “construtivo”. Em declarações à Reuters, afirmou ter apelado a um cessar-fogo, ao regresso dos refugiados às suas casas e à adoção de medidas para aliviar a crise humanitária no país.
Numa declaração separada, o Presidente do Líbano, Joseph Aoun, expressou a esperança de que as conversações “marquem o início do fim do sofrimento do povo libanês, em geral, e dos que vivem no sul, em particular”.
Segundo o Chefe de Estado, “a única solução” para o conflito passa por as Forças Armadas libanesas assumirem “plena responsabilidade pela segurança do território”.
Entretanto, o Governo libanês tem defendido a abertura de negociações com Israel, apesar da oposição do Hezbollah, o que reflete o agravamento das tensões entre o grupo xiita e os seus adversários.
O Líbano tem procurado desarmar o Hezbollah de forma pacífica desde a guerra entre a milícia e Israel em 2024. Qualquer tentativa de desarmamento forçado poderá desencadear um novo conflito num país ainda fragilizado pela guerra civil que decorreu entre 1975 e 1990. Recorde-se que ações semelhantes em 2008 provocaram um breve conflito interno.
Por outro lado, o encontro decorre num momento crítico da crise no Médio Oriente, uma semana após um frágil cessar-fogo entre os EUA, Israel e o Irão.
Fundado em 1982, o Hezbollah é uma milícia fortemente armada e com grande influência no sul do Líbano, de maioria xiita, bem como nos subúrbios do sul da capital, Beirute.
A reunião contou ainda com a presença de Michael Needham, do Embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, e do Embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa, bem como de um amigo pessoal do Presidente dos EUA, Donald Trump, que também participou nas conversações.
Já o Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, manifestou indignação pela morte de três capacetes azuis indonésios ao serviço da Força Interina da Organização das Nações Unidas (ONU) no Líbano, considerando que perderam a vida “em circunstâncias trágicas e inaceitáveis” durante uma missão de proteção de civis e manutenção da paz.
Segundo fonte presidencial, informações preliminares divulgadas no fim de semana indicam que as mortes resultaram de incidentes distintos, envolvendo atores estatais e não estatais, incluindo alegado fogo de tanques israelitas e a explosão de um engenho improvisado atribuído ao Hezbollah.
Para Ramos-Horta, independentemente das responsabilidades, trata-se de uma grave violação do direito internacional humanitário e dos princípios que regem as operações de manutenção da paz da ONU.
O Chefe de Estado recordou que os capacetes azuis não são parte nos conflitos, mas desempenham um papel imparcial na promoção da estabilidade, devendo ser protegidos em todas as circunstâncias.
O PR apresentou condolências às famílias das vítimas, bem como ao Governo e ao povo da Indonésia e à ONU, reafirmando a solidariedade de Timor-Leste e enaltecendo a coragem e o sacrifício dos militares indonésios.
No mesmo comunicado, Ramos-Horta alertou que o incidente não é isolado, inserindo-se num padrão mais amplo e preocupante no Médio Oriente. Segundo o Chefe de Estado, têm-se registado ataques e interferências frequentes contra pessoal da ONU e trabalhadores humanitários, sobretudo no sul do Líbano, incluindo disparos junto a posições da organização e danos nas suas infraestruturas.
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Fontes: Reuters, BBC, e Tatoli




