iklan

HEADLINE, NACIONAL, NOTÍCIAS DE HOJE

Filme de massacre de Santa Cruz “chocou” Tom O’Haolain, embora ainda não conhecesse Timor-Leste

Filme de massacre de Santa Cruz “chocou” Tom O’Haolain, embora ainda não conhecesse Timor-Leste

Tomas Lim O’Haolain. Imagem Tatoli/I/Egas Cristóvão

DÍLI, 11 de novembro de 2021 (TATOLI) – Tomas Lim O’Haolain, mais conhecido por ‘Maubere’, tem nacionalidade irlandesa. No seu país de origem, era condutor de autocarro. Ficou comovido com o filme sobre o massacre de Santa Cruz a 12 de novembro de 1991.

O filme foi gravado pelo jornalista inglês Cristopher Wenner, mais conhecido por Max Stahl, durante a cerimónia fúnebre de Sebastião Gomes, um timorense morto pelos militares indonésios.

Massacre de Santa Cruz. Imagem do Google.

Maubere contou que ouviu falar do massacre de Santa Cruz num canal televisivo britânico.

.

“Eu estava a ver televisão à noite, no ano de 1992, e um documentário chamado ‘In Cold Blood:The Massacre of East Timor’, de Max Stahl, apareceu e mostrava as mortes [disparos] por tropas indonésias contra civis timorenses no cemitério de Santa Cruz”, recordou.

Tom lembrou que, na altura em que viu as filmagens de Max, sentiu-se chocado com a situação e com o silêncio da comunicação social sobre a invasão da Indonésia, apesar de ainda não conhecer Timor-Leste.

“Quando vi [o documentário], fiquei chocado. Nunca tinha ouvido falar de Timor-Leste antes daquela noite. Fiquei profundamente chateado com a perda de vidas inocentes. Foi também o facto de tantos timorenses terem morrido desde a invasão. Mas as ações cruéis foram amplamente ignoradas pela comunicação social ocidental, até as filmagens de Max serem exibidas em todo o mundo e abrirem os olhos de todos para o que se passava em Timor-Leste”, disse.

Depois de ouvir falar sobre os acontecimentos de 12 de novembro, Maubere decidiu realizar uma ação de solidariedade juntamente com os amigos motoristas na Irlanda.

“Eu e vários amigos decidimos fazer uma campanha para negociarmos a realização de um referendo em Timor-Leste. Esta negociação visava a retirada das tropas indonésias e o fim dos abusos dos direitos humanos. Várias campanhas foram realizadas em muitos países para apoiar Timor-Leste, como nos Estados Unidos da América, Canadá, Noruega e na Indonésia, com grupos como o Solidamor”, referiu Tom.

Max Stahl. Imagem especial.

Maubere disse que, depois de ver o documentário, veio a conhecer o autor do filme do massacre de Santa Cruz, na altura em que Max Stahl realizava a campanha sobre a luta do povo de Timor-Leste pela independência.

“Acho que foi em 1993, quando Max foi à Irlanda para informar o povo irlandês sobre o que estava a acontecer em Timor-Leste. Fiquei muito impressionado com ele. O jornalista tinha um respeito enorme pela luta timorense. Max falou claramente sobre o que estava a acontecer em Timor e muitas pessoas aderiram à campanha por causa das suas palavras”, relatou.

Maubere relembrou ainda que o Governo da Irlanda deu todo o seu apoio à ação do grupo de Tom em relação à atuação dos militares indonésios sobre a violação dos direitos humanos contra o povo timorense.

“O governo irlandês apoiou muito Timor-Leste e ajudou Portugal na União Europeia e nas Nações Unidas. Depois de Santa Cruz, o então Ministro das Relações Exteriores da Irlanda convocou o Embaixador da Indonésia em Londres e expressou a sua indignação com o que aconteceu”, referiu.

Tom teve curiosidade em conhecer Timor-Leste, o qual era chamado Timor-Timur no tempo da ocupação da Indonésia. Foi uma aventura até chegar à zona timorense, decorridos alguns anos após o massacre.

“Vim para Timor pela primeira vez em 1997 e voltei em 1998 para fazer um documentário sobre o país. Entrevistámos alguns membros das FALINTIL e pessoas do Conselho de Solidariedade de Estudantes”, contou.

O ex-motorista teve oportunidade de confirmar factualmente que a violação dos direitos humanos contra o povo timorense era uma realidade.

“Não foi bom. Era óbvio que o povo timorense vivia sob ocupação colonial e havia medo nos olhos de muitas pessoas. Era uma sociedade muito controlada [pelos militares da Indonésia]”, recordou Maubere.

Tom O’Haolain, ou Maubere, tornou-se ativista da causa de Timor-Leste quando regressou ao seu país de origem. Depois de alguns anos da restauração da independência de Timor-Leste em 1999, o ex-motorista passou a ocupar um cargo diplomático no país. “Voltei como ativista e, alguns anos depois, fui nomeado cônsul [do meu país em Timor-Leste]”.

Tom continua a residir em Timor-Leste, porque adora o país e porque a história do povo timorense é semelhante à do irlandês.

O ex-motorista tem ajudado os timorenses a aprenderem inglês. Trabalhou juntamente com Max Stahl e continua a ser membro do Conselho de Administração do Centro Audiovisual Max Stahl de Timor-Leste.

É de relembrar que o jornalista faleceu no dia 28 de outubro, em Brisbane, vítima de doença prolongada, no mesmo dia em que se assinalavam os 30 anos da morte de Sebastião Gomes, que originou a homenagem que levou ao massacre de Santa Cruz.

Christopher Wenner, mais conhecido como Max Stahl, nasceu a 6 de dezembro de 1954 no Reino Unido.

Notícia relevante: Lú Olo recorda Max Stahl como “homem de causas e valores antes e depois da independência”

Jornalista: Jesuína Xavier

Editora: Maria Auxiliadora

iklan
iklan

Leave a Reply

iklan
error: Content is protected !!