DÍLI, 13 de julho de 2021 (TATOLI) – O Gabinete de Apoio à Sociedade Civil (GASC) e o Programa da Nutrição do Ministério da Saúde (MS) organizaram hoje um diálogo nacional em Timor-Leste antes de participarem na pré-cimeira do Sistema Alimentar, em Itália.
No diálogo em causa, foram discutidos quatro tópicos importantes – o sistema alimentar desde a produção, ambiente até à caracterização do consumo, a nutrição em relação ao crescimento, o plano de ação contra o nanismo e a merenda escolar. Estes quatro tópicos serão abordados na Cimeira do Sistema Alimentar em Tóquio, Japão.
O Ministro da Agricultura e Pescas, Pedro dos Reis, no âmbito do diálogo nacional, disse que 40% dos produtos alimentares em Timor-Leste são importados.
“O Ministério da Agricultura está a esforçar-se para reduzir a importação, causada pela dependência das chuvas nos canais de irrigação”, afirmou o ministro, no âmbito do diálogo nacional, em City 8, Manleuana, Díli.
Segundo Pedro dos Reis, é preciso reduzir o número de importações por meio do trabalho em parceria com várias entidades relevantes para resolverem esta questão.
O governante pediu a todos os participantes que discutissem os pontos importantes a apresentar na Cimeira do Sistema Alimentar em Roma, Itália, e nos Estados Unidos da América, este ano.
Também o Coordenador do Gabinete de Apoio à Sociedade Civil, Filipe da Costa, destacou que este diálogo é realizado pela primeira vez em Timor-Leste, pelo que a maioria dos participantes inclui parceiros implementadores, Governo, sociedade civil e setor privado.
“Discutimos hoje quatro tópicos importantes: o primeiro, o sistema alimentar desde a produção, ambiente, até à caracterização do consumo; o segundo, a nutrição em relação ao crescimento; o terceiro, o plano de ação contra o nanismo e, por último, a merenda escolar”, disse.
Segundo o dirigente, Timor-Leste implementa o Programa Merenda Escolar há muitos anos juntamente com outros países. Para a continuação deste programa, é importante discutir a sua melhoria.
O coordenador afirmou igualmente que Timor-Leste ainda não tem um sistema alimentar autossuficiente.
“Ainda temos problemas nos recursos naturais e financeiros para investirmos na área da agricultura, do sistema de distribuição, sobretudo a capacidade de compra e sistema de utilização”, sublinhou.
Filipe da Costa recordou que cerca de um milhão de toneladas de produtos alimentares importados, ou seja, 37%, são desperdiçados em Timor-Leste. Por isso, é preciso discutir a redução dos gastos e elevar a produção para que se possam conservar os produtos alimentares e sair do grupo de insegurança alimentar.
“De acordo com os dados, 36% da população vive com insegurança alimentar grave e 25% com alimentação segura (a maioria em Díli). De acordo com os indicadores do Plano Nacional Consolidado para a Nutrição e Segurança Alimentar, 24% da população apresenta má nutrição, 36% insegurança alimentar e 48% das crianças sofrem de nanismo. Prevemos, até 2030, a redução destes valores de 25% para 0%”, acrescentou.
Já o representante da Organização das Nações Unidas em Timor-Leste, Roy Trivedy, defendeu que o Sistema Alimentar no mundo é uma chave importante para solucionar o problema da insegurança alimentar, sobretudo o impacto das mudanças climáticas.
“Hoje em dia, 850 milhões de pessoas no mundo não têm acesso a produtos alimentares ou estão em situação de fome. Por isso, o Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas e os países-membros decidiram realizar, este ano, variados eventos de modo a discutir a sustentabilidade dos produtos alimentares”, concluiu.
Jornalista: Isaura Lemos de Deus
Editora: Maria Auxiliadora




