DÍLI, 10 de março de 2026 (TATOLI) – O Core Group Transparency Timor-Leste (CGT-TL) destacou a falta de supervisão sobre os fundos destinados à mitigação e adaptação às alterações climáticas em Timor-Leste e apelou à sociedade civil, aos académicos e aos meios de comunicação social para reforçarem a monitorização destes recursos.
A afirmação foi feita pelo Coordenador do CGT-TL, Jemicarter dos Reis, durante um seminário realizado hoje no auditório da Associação HAK, no Farol, em Díli, que teve como objetivo a partilha de informações sobre alterações climáticas, mecanismos de financiamento climático e transparência na gestão de fundos internacionais canalizados para o país.
“A iniciativa visa sensibilizar o público sobre a forma como os fundos climáticos, provenientes de parceiros internacionais desde 2008, são geridos e monitorizados, garantindo que os benefícios cheguem às comunidades mais afetadas por fenómenos como o ciclone Seroja em 2021”, afirmou.
O responsável recordou que o apoio financeiro para programas relacionados com as alterações climáticas em Timor-Leste, através do Global Environment Facility, está estimado em cerca de 92 milhões de dólares americanos. No entanto, acrescentou, a utilização destes fundos não foi devidamente monitorizada.
“Os fundos climáticos devem apoiar os esforços de mitigação e adaptação nas comunidades mais afetadas. No entanto, muitas vezes as comunidades e as autoridades locais não recebem informação suficiente sobre a utilização destes recursos”, referiu.
Jemicarter dos Reis explicou que o CGT-TL iniciou, em 2021, a monitorização do fluxo dos fundos climáticos e identificou algumas informações sobre a sua gestão, embora os benefícios para as comunidades continuem limitados. Acrescentou que, apesar de Timor-Leste contribuir com apenas cerca de 0,003% das emissões globais de gases com efeito de estufa, o país enfrenta impactos significativos das alterações climáticas, como demonstraram as graves inundações provocadas pelo Ciclone Tropical Seroja, em 2021.
Por sua vez, Ana Menezes, estudante Universidade de Díli, presente no evento, referiu que, como universitária, tinha pouco conhecimento sobre os fundos climáticos e o seu processo de canalização para países em desenvolvimento e considera que o seminário foi muito útil por explicar de forma detalhada como esses fundos são distribuídos e de que forma podem beneficiar a sociedade.
Notícia relevante: Alterações Climáticas e Pequenos Estados Insulares : um Apelo Urgente para Ações Transformadoras
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




