DÍLI, 06 de junho de 2023 (TATOLI) – O Diretor-Executivo do Centro Nacional Chega (CNC), Hugo Fernandes, revelou que o edifício da Antiga Comarca de Balide, em Díli, vai ser transformado num centro de sensibilização para a história do país, para a importância dos direitos humanos e da paz.
“O orçamento provém da parceria entre o CNC, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação da Alemanha, no valor de mais de 240 mil euros. De acordo com o calendário, a obra terá início na próxima semana e estará concluída nos próximos dois anos”, informou o dirigente, em Balide, Díli.
O dirigente acrescentou que o projeto deveria ter sido implementado em setembro do ano passado, mas foi adiado devido a atrasos na transferência do fundo da Alemanha.
Para efeitos de reconversão do edifício da Antiga Comarca de Balide no futuro centro histórico, Hugo Fernandes informou que uma modernização se impõe. Para esse efeito, o dirigente do CNC frisou que a sua instituição organizou uma consulta pública com ex-prisioneiros políticos, vítimas de conflitos passados, representantes da sociedade civil e do mundo académico, para obter sugestões para um plano de modernização do edifício.
Segundo o responsável, uma equipa do CNC vai entrevistar os sobreviventes para partilhar as suas experiências, testemunhos, bem como os sentimentos que experimentaram durante os anos de reclusão durante o período de ocupação Indonésia.
“Os seus testemunhos serão transformados em formatos audiovisuais e livros, a fim de facilitar às novas gerações a aquisição de saberes sobre a história da luta pela libertação da pátria”, especificou Hugo Fernandes.
Eteuco Guterres, um dos sobreviventes da ocupação indonésia, agradeceu ao CNC pelo serviço prestado na salvaguarda da história e destacou o valor da contribuição de cada indivíduo no processo da luta pela independência do país.
“O estabelecimento do centro é essencial para que a nova geração tenha conhecimento do sofrimento vivido pelos protagonistas da luta. Na teoria, consideramos que a guerra é fácil, mas na prática, ser um sobrevivente é difícil, porque colocamos a nossa vida em risco”, testemunhou Eteuco Guterres.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




