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INTERNACIONAL

António Guterres apela a uma transição rápida para energias limpas e apresenta plano global contra crise climática

António Guterres apela a uma transição rápida para energias limpas e apresenta plano global contra crise climática

O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres. Foto da Tatoli/Francisco Sony

 

DÍLI, 29 de junho de 2026 (TATOLI) – O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, apelou a uma ação global mais ambiciosa para combater as alterações climáticas e reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, defendendo uma transição rápida e justa para energias limpas como resposta às crescentes ameaças ambientais e energéticas que afetam o planeta.

A declaração foi feita durante um discurso na London Climate Action Week, decorrida de 20 a 28 de junho, numa altura em que uma onda de calor extrema continua a afetar vários países europeus. António Guterres alertou que a crise climática e as recentes tensões geopolíticas no Médio Oriente têm uma origem comum: a dependência global dos combustíveis fósseis.

“Estas crises podem parecer distintas, mas partilham a mesma origem destrutiva: os combustíveis fósseis. E exigem a mesma resposta: uma transição rápida e justa para energias limpas”, afirmou o responsável na página da ONU a que a Tatoli teve acesso.

O líder da organização sublinhou que a dependência do petróleo continua a alimentar a instabilidade energética mundial, agravada pelas perturbações no transporte marítimo através do Estreito de Ormuz e pelo conflito envolvendo o Irão, Israel e os Estados Unidos da América.

Para acelerar a transição energética, António Guterres apresentou um plano assente em sete prioridades, começando pela redução imediata das emissões globais de gases com efeito de estufa, com o objetivo de se alcançar a neutralidade carbónica até 2050.

O Secretário-Geral defende igualmente o reforço do investimento em energias renováveis, a eliminação dos subsídios públicos aos combustíveis fósseis e a tributação dos lucros extraordinários das grandes empresas do setor para financiar medidas de adaptação climática e apoiar comunidades vulneráveis.

Segundo o dirigente, as oito maiores empresas de combustíveis fósseis obtiveram mais 6,5 mil milhões de dólares americanos em lucros apenas no primeiro trimestre deste ano.

Outro dos pontos centrais do plano é a exigência de maior transparência por parte das empresas de Inteligência Artificial. O responsável defendeu que as grandes empresas tecnológicas devem divulgar publicamente o impacto ambiental dos seus centros de dados e garantir que estes funcionem exclusivamente com energia renovável até 2030.

“Atualmente, os centros de dados ligados à Inteligência Artificial já consomem mais eletricidade do que a maioria dos países”, alertou.

O Secretário-Geral recordou que passaram mais de dez anos desde a assinatura do Acordo de Paris, que estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais.

Apesar dos progressos alcançados, cientistas apoiados pela ONU alertam que esse limite poderá ser ultrapassado nos próximos anos.

“Cada fração de grau conta”, afirmou António Guterres, alertando para consequências potencialmente irreversíveis, como a destruição dos recifes de coral, o derretimento das grandes massas de gelo e a subida do nível do mar, que poderá ameaçar a existência de alguns pequenos Estados insulares.

Apesar dos desafios, o responsável destacou os avanços registados nas tecnologias limpas. Desde 2010, o custo da energia solar diminuiu quase 90%, enquanto a energia eólica terrestre ficou mais de 70% mais barata e os sistemas de armazenamento em baterias reduziram os seus custos em cerca de 95%.

De acordo com o dirigente, o investimento global em energia limpa já supera largamente o destinado aos combustíveis fósseis. “Não existem embargos à luz solar nem bloqueios ao vento”, salientou.

O Secretário-Geral apelou também ao aumento do financiamento internacional para apoiar os países em desenvolvimento na adaptação às alterações climáticas e na expansão das energias renováveis.

Segundo dados apresentados pela ONU, os países africanos recebem apenas 2% do investimento mundial em energia limpa, apesar de possuírem cerca de 60% dos melhores recursos solares do planeta.

António Guterres defendeu ainda o reforço do Fundo Verde para o Clima e do Fundo para Resposta a Perdas e Danos, bem como o cumprimento dos compromissos financeiros assumidos pelos países desenvolvidos.

Por fim, o líder da ONU alertou para o aumento da desinformação relacionada com as alterações climáticas e apelou à proteção dos jornalistas e defensores dos direitos humanos que trabalham em questões ambientais.

“A desinformação está a ser deliberadamente difundida para atrasar a ação climática, proteger interesses instalados e minar a confiança”, referiu.

António Guterres reiterou que a ciência deve continuar a orientar as decisões políticas e económicas para enfrentar uma das maiores ameaças globais da atualidade.

Equipa da Tatoli

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