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PN aprova voto de pesar pela morte de Francisco Guterres “Lú Olo”

PN aprova voto de pesar pela morte de Francisco Guterres “Lú Olo”

O Parlamento Nacional (PN) aprovou hoje, por unanimidade, um voto de pesar pela morte de Francisco Guterres “Lú Olo”, antigo Presidente da República. Foto da Tatoli/Francisco Sony

DÍLI, 24 de junho de 2026 (TATOLI) – O Parlamento Nacional (PN) aprovou hoje, por unanimidade, um voto de pesar pela morte de Francisco Guterres “Lú Olo”, antigo Presidente da República e Presidente da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN).

Francisco Guterres “Lú Olo” faleceu aos 71 anos, na noite de domingo no Hospital Prince Court, em Kuala Lumpur, na Malásia, onde se encontrava a receber tratamento médico intensivo.

De acordo com o texto lido pela Secretária da Mesa, Virgínia Belo, “Lú Olo” dedicou grande parte da sua vida à luta pela libertação nacional, à consolidação da democracia e à construção do Estado, deixando um legado marcante na história de Timor-Leste.

Nascido a 7 de setembro de 1954, no posto administrativo de Ossú, município de Viqueque, era filho de Félix Guterres e Elda da Costa Guterres, sendo o sétimo filho de uma família de oito irmãos.

Segundo a mesma fonte, “Lú Olo” foi um “lutador incansável pela causa da independência nacional”, tendo-se dedicado sem reservas à resistência entre 1974 e 2000. Integrou o restrito grupo de apenas quatro comandantes que permaneceram ininterruptamente nas montanhas durante os 24 anos da resistência armada contra a ocupação da Indonésia.

A sua trajetória política confunde-se com a própria história da luta pela independência de Timor-Leste. Após a invasão indonésia, assumiu diversas responsabilidades no seio da resistência, tendo sido nomeado Vice-Secretário da Zona de Ossú e, posteriormente, Vice-Secretário da Região Leste. Entre 1977 e 1978, desempenhou as funções de Comissário Político do setor Ponta Leste, uma das regiões mais afetadas pelo conflito.

Com a reorganização da resistência, continuou a assumir cargos de liderança, tornando-se Adjunto do Comissário Político em 1982 e Comissário Político em 1984. Na década de 1990, desempenhou um papel relevante na reestruturação política da resistência, assumindo o cargo de Vice-Secretário da Comissão Diretiva da FRETILIN, em 1993, e o de Secretário da mesma estrutura, em 1998.

Paralelamente, integrou o Conselho Nacional da Resistência Timorense e exerceu funções como Secretário da Frente Política Interna, contribuindo para os esforços diplomáticos e para a unidade nacional durante os últimos anos da luta pela independência.

Após o referendo de 1999 e o processo de transição para a restauração da independência, o ex-Chefe de Estado passou da resistência para a construção das instituições do novo Estado. Foi eleito deputado à Assembleia Constituinte e presidiu aos trabalhos de elaboração da Constituição.

Com a restauração da independência, a 20 de maio de 2002, a Assembleia Constituinte transformou-se em PN, tendo Lú Olo assumido as funções de primeiro Presidente do Órgão Legislativo, cargo que exerceu durante toda a primeira legislatura, até julho de 2007.

O documento recorda ainda que Francisco Guterres foi eleito Presidente da República para o mandato de 2017 a 2022. Além dos mais altos cargos exercidos no Estado, liderou a FRETILIN como presidente do partido desde 2001 até ao fim da sua vida.

Pela sua dedicação e contributo para a libertação nacional e para a construção do Estado, foi agraciado com várias distinções, entre as quais o Colar da Ordem de Timor-Leste, a Medalha de Mérito e o Grande Colar da Ordem de Timor-Leste.

No plano internacional, foi igualmente distinguido pelo Governo de Portugal com o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique, em reconhecimento pelo seu contributo para o fortalecimento das relações entre Timor-Leste e Portugal.

O PN expressou ainda condolências à família, à liderança e aos militantes da FRETILIN, bem como aos amigos e familiares enlutados, destacando o legado político e histórico de “Lú Olo” na consolidação do Estado timorense.

Notícia relevante: Mari Alkatiri apela à união nacional para honrar legado de “Lú Olo”

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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