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ONU alerta para intensificação de fenómenos climáticos devido ao El Niño

ONU alerta para intensificação de fenómenos climáticos devido ao El Niño

El Niño. Foto:Google

DÍLI, 19 de junho de 2026 (TATOLI) – Milhões de pessoas em zonas já afetadas pela fome, pela deslocação e pela crise económica poderão enfrentar novos desafios nos próximos meses devido ao agravamento dos fenómenos climáticos extremos. O alerta é da  Organização das Nações Unidas (ONU).

O aviso surge numa altura em que os impactos das alterações climáticas se agravam em várias partes do mundo, sobretudo em países com sistemas alimentares frágeis e expostos a crises humanitárias.

De acordo com o relatório State of the Climate in Africa 2025, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, em inglês), pelo menos 13 milhões de pessoas foram afetadas por eventos meteorológicos extremos em África no ano passado, e mais de três mil morreram devido a fenómenos climáticos.

As inundações foram o desastre natural mais frequente no continente, representando mais de metade dos eventos registados. Na Nigéria, em maio, as cheias severas provocaram mais de 200 mortes. No Congo, as inundações, em abril, causaram mais de 160 vítimas mortais. Ao mesmo tempo, a seca agravou-se na África Oriental, pondo em risco a produção de alimentos e o sustento das famílias.

Segundo a WMO, a África está a aquecer a um ritmo superior à média global. O recuo acelerado dos glaciares e a subida do nível do mar em várias zonas costeiras evidenciam a gravidade da situação. No Monte Kilimanjaro, por exemplo, a cobertura de gelo diminuiu de 11,4 em 1900 para menos de um nos últimos anos.

Os especialistas alertam que estas mudanças estão a aumentar a frequência e a intensidade dos fenómenos extremos, reduzindo o tempo disponível para a preparação e a adaptação das comunidades vulneráveis.

Neste contexto, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) alertaram para o possível impacto de um fenómeno El Niño de forte intensidade, cuja evolução está prevista para o final de 2026 e início de 2027.

As duas agências destacam que o fenómeno poderá alterar significativamente os padrões de precipitação, provocando secas severas em algumas regiões e inundações intensas noutras. Os efeitos deverão atingir países de África, Ásia, Pacífico, América Latina e Caraíbas, pondo em risco colheitas, gado, reservas de água e a segurança alimentar.

Sem medidas preventivas, milhões de pessoas poderão enfrentar um agravamento da insegurança alimentar e perdas significativas nos seus meios de subsistência.

Para minimizar os impactos, a FAO e o PAM lançaram o primeiro Apelo Conjunto para Ação Antecipatória, solicitando um financiamento de 202 milhões de dólares americanos para apoiar cerca de 8,8 milhões de pessoas em situação de risco.

A iniciativa pretende reforçar a resposta preventiva através da distribuição de sementes resistentes à seca e às cheias, apoio financeiro direto às famílias, proteção do gado, melhoria do armazenamento de água, emissão de alertas precoces e fornecimento de informação climática adaptada às necessidades locais.

Atualmente, existem mecanismos preparados para apoiar aproximadamente 1,2 milhões de pessoas. Contudo, as agências afirmam que recursos adicionais permitiriam expandir rapidamente a assistência a mais 7,6 milhões de pessoas em 22 países prioritários.

A Diretora-Geral Adjunta da FAO, Beth Bechdol, sublinhou que a experiência demonstra que agir antes da ocorrência de crises é mais eficaz e menos dispendioso do que responder a emergências.

Por sua vez, o Diretor-Executivo interino do PAM, Carl Skau, alertou que a comunidade internacional dispõe de uma janela de oportunidade limitada para evitar uma nova crise alimentar de grande escala.

“Temos agora as ferramentas para antecipar estes acontecimentos. O que importa é a forma como agimos perante eles”, afirmou.

As duas agências alertaram ainda que o apelo surge num contexto particularmente desafiante para o setor humanitário, marcado pelo aumento das necessidades globais e pela crescente pressão sobre os recursos destinados à ajuda internacional.

Notícia relevante: ONU: Assassinatos de defensores dos direitos humanos atingem recorde em 2025

Equipa da Tatoli

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