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OMS: Alimentos contaminados matam 1,5 milhões de pessoas por ano

OMS: Alimentos contaminados matam 1,5 milhões de pessoas por ano

Produtos locais. Foto da TATOLI

DÍLI, 8 de junho de 2026 (TATOLI) – Alimentos contaminados matam 1,5 milhões de pessoas e adoecem 866 milhões todos os anos, alertou a Organização Mundial de Saúde (OMS), no seu relatório divulgado recentemente, no âmbito do Dia Mundial da Segurança Alimentar, celebrado a 7 de junho.

As crianças com menos de cinco anos são particularmente vulneráveis, com três vezes mais risco de doença, enquanto os contaminantes químicos são responsáveis por 73% dos óbitos relacionados com alimentos inseguros.

O relatório da OMS revela que, apesar de os alimentos serem essenciais para a nutrição, acabam por afetar gravemente a saúde global. As crianças sofrem não só de doenças diarreicas agudas, potencialmente fatais, mas também de sequelas permanentes devido à exposição a contaminantes químicos.

“Substâncias como o chumbo e o metilmercúrio danificam o cérebro em desenvolvimento, provocando problemas neurológicos e de aprendizagem irreversíveis”, alerta Yuki Minato, responsável técnica da OMS e autora principal do referido estudo.

A dirigente explicou que o chumbo é um metal pesado tóxico que se encontra naturalmente no solo e na água, mas que também pode ser introduzido no ambiente através de poluição industrial, tintas antigas e combustíveis. A principal via de exposição humana é o consumo de água ou alimentos contaminados e a inalação de poeiras ou partículas contendo chumbo.

Já o metilmercúrio é uma forma altamente tóxica do mercúrio que se acumula nos organismos vivos, sobretudo em peixes e mariscos.

Segundo o documento, embora a maioria das infeções alimentares seja causada por agentes biológicos como bactérias e vírus, são os elementos químicos que mais matam. Metais pesados como o arsénio inorgânico causam 42% dos óbitos por químicos, devido à forte associação com doenças cancerígenas e cardiovasculares a longo prazo. O chumbo é responsável por 31% destas mortes, entrando na cadeia alimentar por via natural ou poluição industrial.

A OMS sublinha que, uma vez presentes nos alimentos, estes metais pesados são quase impossíveis de eliminar. A solução passa pela implementação de controlo industrial rigoroso e de uma regulação ambiental eficaz.

A crise de segurança alimentar não atinge todos os países da mesma forma. A África e o Sudeste Asiático concentram quase 75% das doenças e 60% das mortes globais relacionadas com alimentos contaminados. Dois fatores agravantes são destacados no relatório: as alterações climáticas, que aumentam os riscos de contaminação biológica e proliferação de toxinas, e a resistência antimicrobiana, que torna algumas infeções alimentares difíceis ou impossíveis de tratar com medicamentos atuais.

A OMS defende uma abordagem integrada de saúde, envolvendo os setores humano, animal, vegetal e ambiental, e alerta que a demora em implementar medidas custa vidas.

A organização anunciou ainda a criação de uma plataforma digital interativa, que permitirá aos Governos aceder a dados específicos por país, identificar riscos locais e priorizar investimentos em saneamento, pasteurização e vigilância sanitária, transformando estatísticas preocupantes em políticas públicas concretas.

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Equipa da Tatoli

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