DÍLI, 5 de maio de 2026 (TATOLI) – O Ministério da Agricultura, Pecuária, Pescas e Florestas, em parceria com a Conservation International Timor-Leste (CI-TL) e com o Ministério do Turismo e Ambiente, lançou hoje um projeto destinado a promover a gestão sustentável das lagoas e a conservação da biodiversidade em Manatuto, Manufahi, Covalima e Ainaro.
A iniciativa, apresentada durante um workshop nacional realizado no Timor Plaza, em Díli, sob o tema Promoção da Boa Gestão das Lagoas para a Biodiversidade e Coexistência entre Humanos e Crocodilos. A iniciativa é financiada pelo Global Environment Facility (GEF) e terá uma duração de quatro anos.
O projeto visa melhorar a gestão das lagoas, promover a coexistência entre as comunidades e os crocodilos, bem como apoiar oportunidades de subsistência sustentáveis para as populações locais.
O Ministro da tutela, Marcos da Cruz, explicou que a iniciativa visa sensibilizar as partes interessadas para a importância da proteção das lagoas enquanto ecossistema fundamental para a biodiversidade.
“As lagoas são extremamente importantes, porque albergam uma grande diversidade de espécies, incluindo animais selvagens. Precisamos de as proteger e discutir formas de garantir a coexistência entre as comunidades e, em particular, os crocodilos”, afirmou.
O governante salientou ainda o valor cultural do crocodilo em Timor-Leste, frequentemente associado à figura do “avô” na tradição local, defendendo, no entanto, a necessidade de se reduzir os conflitos entre humanos e o animal.
Segundo Marcos da Cruz, o projeto prevê a delimitação de áreas especificas para crocodilos e comunidades, funcionado como zonas de separação que minimizam riscos e reforçam a segurança.
“Estas zonas poderão também ser valorizadas como potenciais atrações turísticas, contribuindo para o desenvolvimento económico local”, acrescentou.
Por sua vez, o Diretor da CI-TL, Manuel Mendes, informou que a intervenção abrangerá sete lagoas consideradas prioritárias para a conservação da biodiversidade.
O responsável explicou que o projeto pretende assegurar a sustentabilidade dos ecossistemas, com foco na qualidade da água e na proteção das espécies, enquanto proporciona benefícios económicos para as comunidades.
Segundo Manuel Mendes, serão contratadas 12 pessoas para a implementação do projeto, que irão trabalhar em conjunto com os guardas-florestais, salientando que será criado um grupo específico para cada lagoa. “Vamos instalar sinais de proibição nas áreas onde existam crocodilos, de forma a evitar que as pessoas se aproximem”, afirmou.
A iniciativa contará com um apoio financeiro de 2,6 milhões de dólares americanos, disponibilizado pelo GEF. O fundo destina-se ao financiamento das atividades dos grupos, que serão criados para desenvolver iniciativas de cariz turístico nas respetivas lagoas.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




