DÍLI, 1 de maio de 2026 (TATOLI) – Foi assinalado ontem, na Nunciatura Apostólica da Santa Sé, em Díli, o primeiro aniversário do pontificado do Papa Leão XIV, marcado por apelos à paz, ao diálogo e ao reforço da cooperação internacional.
A cerimónia contou com a presença do Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, da Presidente do Parlamento Nacional, Maria Fernanda Lay, do Presidente do Tribunal de Recurso, Afonso Carmona, do Arcebispo da Arquidiocese Metropolitana de Díli, Dom Virgílio Cardeal do Carmo da Silva, do Bispo da Diocese de Baucau, Dom Leandro Alves, bem como de membros do Governo, deputados, representantes do corpo diplomático e autoridades civis, militares e religiosas.

Intervindo no evento, o Chefe de Estado destacou o papel do Papa Leão XIV como uma das principais “vozes morais” num contexto internacional marcado por conflitos, polarização e desigualdades.
“Vivemos numa era de extrema polarização, com conflitos que persistem em várias partes do mundo. Precisamos de lideranças morais que promovam o diálogo e a compreensão entre os povos”, afirmou.
Ramos-Horta alertou para o agravamento das tensões globais e para a persistência de guerras e tensões geopolíticas, defendendo soluções baseadas no diálogo, no respeito pelos direitos humanos e na cooperação entre Estados.
O Chefe de Estado referiu ainda que fenómenos como a desinformação, amplificada pelas redes sociais, e as desigualdades económicas têm contribuído para o aumento da instabilidade social e política.
O PR recordou também as mensagens do anterior pontífice, Papa Francisco, sublinhando a continuidade dessa visão no atual Papa, assente na defesa da dignidade humana, do diálogo e da resolução pacífica de conflitos.
Por sua vez, o Encarregado de Negócios da Santa Sé em Timor-Leste, Monsenhor Marcel Smejkal, afirmou que o primeiro ano do pontificado do Papa Leão tem sido marcado por uma liderança espiritual clara e profunda, centrada na promoção da paz, no respeito pelo direito internacional e na dignidade da pessoa humana.

“O Santo Padre tem reafirmado que a paz não resulta da dominação, mas de um trabalho paciente baseado na verdade, na justiça e na cooperação entre Estados”, sublinhou.
Segundo o Monsenhor, o Papa tem chamado a atenção para desafios globais como conflitos armados, crises humanitárias, migrações e o enfraquecimento da cooperação multilateral.
Marcel Smejkal destacou igualmente o reforço das relações entre Timor-Leste e a Santa Sé, evidenciado pela visita de Ramos-Horta ao Vaticano em novembro de 2025, durante a qual foi reforçada a cooperação bilateral e reconhecido o papel da Igreja Católica no desenvolvimento do país.
“A mensagem do Papa Leão XIV encontra eco especial em Timor-Leste, um país que conhece o valor da paz, da reconciliação e da solidariedade internacional”, afirmou.
Por sua vez, Dom Virgílio Cardeal frisou que considera que o pontificado do Papa Leão representa “um sinal de esperança” num mundo marcado pela violência e fragmentação.
“Num mundo ferido por conflitos, sentimos a necessidade urgente de uma liderança que fale a linguagem do amor e da paz. O Papa Leão XIV foi eleito num tempo de grandes tensões. A sua primeira mensagem não foi política, mas pastoral: um apelo à paz”, afirmou.
O Cardeal sublinhou que a mensagem do Papa vai além da ausência de guerra, promovendo uma paz baseada na justiça e na caridade.
Dom Virgílio recordou ainda que o Santo Padre através das suas viagens e gestos, demonstra proximidade com os mais vulneráveis e promove o desarmamento, não apenas das armas, mas também dos corações.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




