DÍLI, 14 de outubro de 2025 (TATOLI) – Discutir a preservação, promoção e integração do Tais como património cultural de Timor-Leste e reforçar o papel das mulheres na cadeia produtiva desta herança nacional são os objetivos do Fórum Tais, organizado pelo Gabinete da Presidência da República, em parceria com o Governo, ONU Mulheres (UN Women), Timor Aid, Rede Soru Nain e Fundação Alola. O evento decorreu hoje, no Palácio Presidencial.
O Presidente da República, José Ramos-Horta, destacou a trajetória do Tais e alertou para os desafios de manter a sua autenticidade, fazendo frente a cópias e adaptações externas.
“Aprendi, ao longo de 20 anos, a importância de preservar o Tais original. É nossa responsabilidade garantir que o reconhecimento internacional seja acompanhado de proteção contra duplicações”, afirmou o Chefe de Estado, destacando a necessidade de consciencializar as pessoas para a autenticidade e para o valor cultural do tecido tradicional timorense.
Por sua vez, a Representante da UN Women em Timor-Leste, Amy Nishtha Satyam, ressaltou a necessidade de investir nas mulheres que produzem o Tais, criando oportunidades de rendimento direto e impacto social positivo.
“Quando o dinheiro vai diretamente para as mãos das mulheres, ele chega às crianças, à nutrição e à economia familiar. Este projeto começou pequeno, mas tornou-se um movimento de criatividade e paixão, apoiado pelo Governo, e que precisa ser sustentado por todos”, disse Amy Nishtha Satyam, referindo os benefícios sociais e económicos de iniciativas que promovem o artesanato local e fortalecem o papel das mulheres.
Na mesma linha, para o Ministro do Comércio e Indústria, Filipus Nino Pereira, o Tais não é apenas um símbolo de identidade, mas também uma marca que pode projetar Timor-Leste no cenário internacional.
Nino Pereira enfatizou que “o Tais deve ser promovido como herança cultural e, ao mesmo tempo, desenvolvido economicamente, garantindo que o produto local seja valorizado com originalidade e autenticidade, utilizando cores e matérias-primas naturais”.
O governante reforçou ainda a importância de apostar na formação rigorosa de produtores, assegurando padrões de qualidade e preservação da tradição.
Já o Secretário de Estado da Arte e Cultura, Jorge Cristóvão, destacou a importância do reconhecimento internacional do Tais e o esforço conjunto de organizações locais e internacionais na promoção do património timorense.
“O Tais deve ser preservado como património internacional, com acompanhamento da UNESCO, garantindo que a sua identidade cultural seja transmitida às gerações futuras”, frisou.
O governante sublinhou também a iniciativa de integrar o Tais no currículo escolar do 3.º ciclo a partir de 2026, reforçando a ligação entre educação, cultura e identidade nacional.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




