DÍLI, 26 de agosto de 2025 (TATOLI) – Decorre até ao dia 28, na Faculdade de Economia da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), um seminário internacional, sob o tema Desafios da Comunicação na Era Digital, organizado pelo Centro de Estudos de Cultura e Arte (CECA) da UNTL, em parceria com a Universidade Mackenzie, de São Paulo, no Brasil.
Segundo o Diretor do CECA, Vicente Paulino, o evento conta com dois oradores brasileiros, uma jornalista e um docente da Universidade Mackenzie, e com três sessões ao longo de três dias. A iniciativa destina-se não só à comunidade académica, mas também aos profissionais de comunicação social.
O responsável referiu ainda que a comunicação deve servir, em primeiro lugar, para informar e educar, devendo ser inclusiva e respeitadora, lembrando que todos os cidadãos têm o dever de participar ativamente na construção de uma comunicação eficaz na era digital.
“Devemos evitar a propagação de informações incorretas, muitas vezes disseminadas nas redes sociais ou em meios tendenciosos, que nem sempre retratam a realidade de forma fidedigna”, disse Vicente Paulino, em Díli.
Por sua vez, Rafael Fonseca, docente da Universidade Mackenzie e orador no evento, abordou o conceito de comunicação inclusiva, partilhando a experiência brasileira.
“No Brasil, temos discutido a comunicação inclusiva como um grande desafio: construir uma comunicação que não exclua ninguém. Chamamos a isso comunicação inclusiva”, explicou o académico.
Rafael Fonseca destacou ainda as diferenças contextuais entre os dois países: “Timor-Leste é um país pequeno, mas multilíngue. Já o Brasil é um país imenso com uma única língua oficial. O desafio da inclusão em Timor-Leste está fortemente ligado ao aspeto linguístico, enquanto no Brasil está mais relacionado com fatores socioeconómicos, cognitivos e educacionais”, salientou.
Auxiliadora Soares, mestranda na UNTL e participante no seminário, afirmou que a comunicação inclusiva deve ser pensada para além da infraestrutura, abrangendo também o domínio pedagógico.
“Os professores ou orientadores devem compreender que estão a trabalhar com pessoas ainda em fase de desenvolvimento das suas capacidades cognitivas. A comunicação não deve estar restrita apenas às salas de aula ou aos que têm acesso à educação formal, mas também deve alcançar os que estão fora desse sistema”, referiu.
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Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




