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Ramos-Horta: portugueses deixaram uma marca na Ásia que o tempo não apagou

Ramos-Horta: portugueses deixaram uma marca na Ásia que o tempo não apagou

Presidente da República (PR), José Ramos Horta, discursou na 4.ª edição da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, em Díli. Foto da Tatoli/António Daciparu

DÍLI, 27 de junho de 2025 (TATOLI) – Decorre até ao dia 29 deste mês, no Centro de Convenções de Díli, a 4.ª edição da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, de que a Tatoli já deu conhecimento.

Intervindo no evento, o Presidente da República (PR), José Ramos Horta, afirmou que “os portugueses deixaram uma marca na Ásia que o tempo não apagou”. “As nossas comunidades são a prova desta verdade inegável. O resultado é algo que perdura: o nascimento de comunidades que são simultaneamente europeias e asiáticas. Comunidades resistentes que moldaram os países em que vivem. Entendemos que, embora esta herança seja complexa, é significativa”.

Para Ramos Horta, em Timor-Leste, a chegada dos portugueses “mudou tudo”, acrescentando que “o país era uma terra de reinos”. Ele explicou:  “partilhávamos uma terra e uma cultura, mas não tínhamos um sentido de identidade nacional. Foram os portugueses, e a experiência europeia mais alargada, que nos introduziram a ideia do Estado-nação moderno” estabelecendo, ainda, uma ponte para os tempos atuais: “Hoje, falamos de soberania e independência nacionais como se fossem verdades eternas, mas são, de facto, o legado de uma ideia transportada pela história e transformada pela luta. E foi essa ideia que forjou no nosso povo um sentido de unidade e de identidade nacional”.

O Chefe de Estado contou que quando Timor-Leste foi ocupado e chegou o momento de lutar pela independência, foi a história que deu “força à luta, a força de um objetivo comum, de uma língua partilhada e de uma unidade inquebrável” e, concomitantemente, “também nos deu os alicerces para defendermos a nossa posição perante o mundo, para defendermos diplomaticamente a autodeterminação.  Permitiu-nos falar a uma só voz, articular uma reivindicação legal e moral e envolvermo-nos com o direito internacional e os direitos que este procura proteger”, sublinhou.

De acordo com o PR, os portugueses administravam os seus territórios asiáticos com um sentido de interligação. “Laços culturais, administrativos e religiosos fluíam entre Goa e Malaca, entre as Flores e o Sri Lanka.  Durante algum tempo, Timor foi mesmo administrado pelo Governador de Macau”.

Horta não se esqueceu da Igreja reconhecendo o valor da missionação portuguesa da altura. Para o PR, a Igreja desempenhou um papel central nesta teia de ligações, trazendo não só a fé, mas também a educação formal, a escrita e a disciplina espiritual.

Seguidamente frisou a resiliência da cultura timorense, influenciada pela portuguesa e pela Igreja: “Em toda a Ásia, as comunidades luso-descendentes sobreviveram a guerras, fomes, migrações e convulsões políticas.  Adaptaram-se e resistiram.  Salvaguardaram tradições, histórias, rituais e cozinhas únicas.  A sua sobrevivência é um ato de desafio contra o esquecimento”, afirmou.

De acordo com Horta, esta Conferência dá à comunidade o espaço para refletir sobre o passado e para celebrar a riqueza e a diversidade do património representado pelos participantes de toda a Ásia. “Mas tão importante quanto isso, dá às comunidades luso-asiáticas a oportunidade de moldar o próximo capítulo desta longa história”, enfatizou.

O PR destacou que durante o evento será debatida a proposta de “Declaração de Díli”, contrato que permitirá dar o passo histórico de criar a Associação das Comunidades Portuguesas da Ásia via organização que “será mais do que uma rede de pessoas e comunidades.  É uma promessa e um compromisso de preservação, registo e capacitação.  Reconhecer o valor das comunidades que são frequentemente marginalizadas ou ignoradas”, disse.

Para o Chefe de Estado, a iniciativa dará voz às comunidades luso-asiáticas em conversações com Governos e instituições internacionais e enumerou as vantagens: “Apoiará a investigação, a educação e a sustentabilidade económica.  Ajudará a proteger as histórias e as identidades de pessoas cujas culturas são mistas, complexas e orgulhosas”.

Ramos Horta concluiu referindo que o objetivo “não é apenas honrar o passado, mas fazer desse passado uma plataforma para a renovação, isto incluirá a documentação de histórias orais, o apoio a festivais culturais e o reforço do desenvolvimento liderado pelas comunidades”. De facto, para o PR, “o objetivo é assegurar que a contribuição das comunidades luso-descendentes, na Malásia, em Myanmar, no Sri Lanka, na Tailândia, na Índia e na Indonésia, seja reconhecida como parte da grande história asiática”.

Notícia relevante: Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas reúne representantes de sete países

Jornalista: Jesuína Xavier

Editora: Isaura Lemos de Deus

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