DÍLI, 27 de junho de 2025 (TATOLI) – O promotor da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas, Joseph de Santa Maria, considera que Timor-Leste tem um papel estratégico como centro da comunidade portuguesa na Ásia no futuro.
Para o responsável, a 4.ª edição da Conferência, que decorre até ao dia 29, no Centro de Convenções de Díli, é um marco importante no reforço da união das comunidades luso-descendentes na Ásia e endereçou o seu agradecimento ao país pela disponibilidade de acolher o evento.
Joseph ressalvou que Timor-Leste reúne todos os requisitos para se tornar o novo centro das comunidades luso-descendentes, substituindo Macau que, de acordo relatos históricos, ocupava este lugar. O promotor especificou: “os portugueses consideravam Macau como o seu centro na Ásia, mas agora Timor-Leste pode constituir uma ponte entre Ásia e outros países que têm o português como a língua oficial”.
Ainda assim, fez questão de mencionar o valor histórico de Malaca. Para ele, a comunidade portuguesa em Malaca, Malásia, ainda preserva, durante centenas de anos, uma língua que tem 90% de vocábulos provenientes da língua portuguesa, ainda que em forma de crioulo.
A este propósito, o dirigente salientou que a Festa de São Pedro, que é um festival anual comemorada em Malaca com celebração de missa e com realização de bênção aos barcos de pescadores, é um dos rastos deixados pela presença portuguesa no local e que se resiste até à data.
“Somos considerados mais portugueses do que próprio Portugal por mantermos a língua e tradições herdadas pelos nossos antepassados há mais de 500 anos”, afirmou. O responsável considera, igualmente, que a presença cultural portuguesa na Ásia poderá impulsionar novas oportunidades económicas para a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na qual Timor-Leste vai integrar-se plenamente em outubro, e para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em todo o mundo.
Joseph espera que a cooperação entre o bloco da ASEAN e a da CPLP contribua para o desenvolvimento da expansão do comércio, do investimento, bem como do intercâmbio cultural e educativo. “A adesão de Timor-Leste à ASEAN poderá representar um elo estratégico entre a ASEAN e a CPLP, servindo como uma porta potencial para a formação de um bloco económico de grande escala”, realçou.
Finalmente, Joseph de Santa Maria não escamoteou a importância do atual Primeiro-Ministro timorense na génese deste empreendimento: “O apoio do Primeiro-Ministro [Xanana Gusmão], na realização da primeira conferência em 2016, foi muito significativo. Na altura sugeriu que Timor-Leste fosse o anfitrião do evento e isso foi concretizado”.
A 4.ª edição da Conferência das Comunidades Luso-Asiáticas conta com a presença de delegações de Portugal, de Sri Lanka, de Myanmar, da Malásia, da Indonésia, da Tailândia e da China.
Notícia relevante: Ramos-Horta: portugueses deixaram uma marca na Ásia que o tempo não apagou
Jornalista: Jesuína Xavier
Editora: Isaura Lemos de Deus




