DÍLI, 30 de agosto de 2023 (TATOLI) – “No dia 30 de agosto, os timorenses deslocaram-se aos centros de votação para escolher o destino do país. Às 07h00 da manhã, em Dare, grande parte da população já estava na fila à espera da sua vez para votar. Tínhamos nas mãos o bilhete de identidade. Eram estas as nossas armas e nosso voto foi a nossa vitória”, contou Agostinho Alves, de 42 anos, no âmbito da comemoração do Dia Nacional da Consulta Popular, data que marca a realização do referendo em 1999 e que conduziu à independência do país.
Em entrevista à Tatoli, Agostinho Alves referiu que o dia 30 de agosto é uma data especial e assinala a grande vitória dos timorenses, porque foi o último dia de luta contra o inimigo, após 24 anos. “A comemoração deste dia especial permite relembrar o sacrifício e o sofrimento do povo pela libertação do país. Foi um momento memorável”.
Também Abelita Soares, uma jovem de 34 anos, defendeu a valorização da luta do povo pela libertação do país. Pede, por isso, aos jovens que contribuam para o desenvolvimento do país. “Foi um dia histórico, porque a maioria do povo participou. Foi a consulta popular que determinou a independência do país, e isso tem de ser valorizado e estar presente na memória de todos os timorenses”.
Xanana Gusmão, Primeiro-Ministro, destacou a importância de se valorizar o sacrifício e o sofrimento do povo. “Neste dia, recordamos os anos passados, onde as populações enfrentaram vários desafios, sofreram e perderam a vida para participar nas eleições de modo a finalmente conquistarmos a independência”. Tendo em mente este espírito, o Primeiro-ministro pediu aos membros do Governo que trabalhassem com responsabilidade para prestarem um melhor serviço à nação.
Recorde-se que a 05 de maio de 1999, os então Ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Jaime Gama, e da Indonésia, Ali Alatas, sob o testemunho do Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, assinaram o Acordo de Nova Iorque que formalizou a realização de uma consulta popular aos timorenses.
A 30 de agosto do mesmo ano, a Organização das Nações Unidas (ONU), através da Missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNAMET), organizou uma consulta popular. Os timorenses tinham duas opções: escolher um estatuto autónomo especial na Indonésia ou a independência. Em 4 de setembro, a ONU anunciou que de um total de 451.796 eleitores recenseados, votaram 446.953. O resultado ditou 344.580 votos (78,5%) a favor da independência e 94.388 (21,5%) a favor da autonomia.
Notícia relevante: Jovens timorenses consideram Dia da Consulta Popular uma vitória para Timor-Leste
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




