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CNTL-UNESCO preserva línguas maternas em livros de histórias e poesia

CNTL-UNESCO preserva línguas maternas em livros de histórias e poesia

Secretário-Executivo da Comissão Nacional para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) em Timor-Leste, Francisco Barreto.

DÍLI, 21 de fevereiro de 2022 (TATOLI) – A Comissão Nacional de Timor-Leste da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura em (CNTL-UNESCO) vai lançar este ano um livro de história em língua materna Makalero de Lautém. A iniciativa insere-se num conjunto mais vasto onde a CNTL já tem um passado na edição de obras em dialetos pouco usados.

“Lançamos livros de histórias e poesias em língua materna para que possamos preservá-la e as novas gerações podem aprendê-la também”, garantiu o Secretário-Executivo da CNTL, Francisco Barreto, à Tatoli, no Bairro Pité. As declarações foram proferidas no âmbito Dia Internacional da Língua Materna.

Francisco Barreto explicou ainda que os dialetos são a identidade cultural da vivência de cada população de um país, por isso cada cidadão tem o dever de preservá-los. A CNTL, por seu turno, tem interesse em preservar “línguas indígenas do país, através da escrita, sobretudo na forma de estória e de poesia”

A CNTL, especificamente, tem interesse em promover as línguas Naueti de Viqueque, Bekais e Bunak de Bobonaro e Mambae de Ermera. O compromisso de preservar estas línguas não é isento de esforços. Francisco Barreto explica que “apesar de termos dificuldades de recursos humanos e financeiros, envidamos todos os esforços para protegê-las”.

O dirigente salientou também que a CNTL identificou algumas línguas maternas que estão em perigo de extinção como o Makoa de Lautém e Mantla de Liquiçá. “Estes dialetos são apenas falados por uma minoria da população embora, por vezes, seja a “língua materna de um suco e toda a sua população a use diariamente”.

Francisco Barreto apelou a todos os cidadãos para não deixarem de aprender as línguas maternas e falar diariamente sem as misturar com outros idiomas. “Se não praticar e misturar uma língua com outras, estamos a destruir a nossa própria língua materna”, referiu.

O Diretor-Geral da Secretaria de Estado da Arte e Cultura (SEAC), Manuel Smith, tinha afirmado que o Governo timorense está empenhado na preservação dos dialetos. A SEAC tinha já identificado seis dialetos sob ameaça de extinção: Makua , Atauran, Adabe, Nanaek, Isni e Lolein.

Estima-se que existam mais de mais de 30 idiomas em Timor-Leste e sete mil línguas no mundo. A metade destas corre o risco de desaparecer. Segundo os Censos da População 2010, há várias línguas indígenas existentes em perigo de extinção, como, por exemplo, o Makua, que conta apenas com 56 falantes, o Atauran, com 147 falantes, o Adabe, com 181 falantes, o Nanaek, com 297 falantes, e o Isni, com 703 falantes.

O Governo está ainda a cooperar com a UNESCO para fazer levantamento de dados em Viqueque, Lautém e Baucau para identificar outros dialetos em risco.

Recorde-se que o Dia Internacional da Língua Materna foi proclamado pela UNESCO em 1999 e é comemorado pelos países membros com vista a proteger e a salvaguardar as línguas faladas no mundo.

Notícia relevante: Timor-Leste alerta para a possibilidade de extinção de alguns dialetos

Jornalista: Jesuína Xavier

Editora: Maria Auxiliadora

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