DÍLI, 04 de dezembro de 2022 (TATOLI) – O Governo de Timor-Leste manifestou profundas condolências pelo falecimento da jornalista e ativista australiana Jill Jolliffe, a 2 de dezembro, vítima de insuficiência cardíaca.
No comunicado do Governo lê-se que “foi com grande consternação e grande pesar que o Governo de Timor-Leste recebeu a notícia da morte de Jill Jolliffe”.
O Primeiro-Ministro timorense, Taur Matan Ruak, em nome do povo timorense, manifestou pesar pela morte da jornalista, que dedicou a maior parte da sua vida a seguir e a mostrar ao mundo a luta pela libertação do país.
“Condolências à família de Jill Jolliffe e os agradecimentos de uma nação para sempre grata”, refere o comunicado a que a Tatoli teve hoje acesso.
Também o Ministro da Presidência do Conselho de Ministros, Fidélis Magalhães, afirmou que Jill Jolliffe “nunca será esquecida em Timor-Leste e será para sempre lembrada com grande carinho, admiração e respeito. Neste momento de tristeza, lamentamos a sua morte, mas celebramos a sua contribuição”.
Xanana Gusmão: “Jill Jolliffe é heroína de Timor-Leste”
Kay Rala Xanana Gusmão escreveu uma carta à família de Jill Jolliffe e apresentou as suas condolências. O ex-líder da resistência considerou que Timor-Leste ficou profundamente entristecido ao saber da morte de Jill Jolliffe, uma proeminente jornalista australiana, ativista política e lutadora, no seu entender “vitalícia”, pela justiça no país.
“Jill é uma heroína do povo timorense. Com grande sacrifício e com risco pessoal, Jill apoiou a nossa independência. Ela terá sempre um lugar especial na nossa história nacional. Ela é uma de nós”, recordou.
Xanana Gusmão caracterizou Jill Jolliffe como uma ativista incansável da causa timorense e alguém que trabalhou incansavelmente para expor os horrores da ocupação ao mundo.
“Jill era uma activista, uma rebelde e uma combatente. Com grandes custos para si própria, ela expôs persistentemente a realidade da ocupação militar indonésia de Timor-Leste ao mundo e apoiou a luta do nosso povo”.
Em outubro de 1975, Jill Jolliffe relatou o assassinato dos seus colegas, Greg Shackleton, Gary Cunningham, Tony Stewart Malcolm, Rennie e Brian Peters, pelos militares indonésios em Balibó.
“Jill estava em Díli para cobrir a Proclamação da Independência de Timor-Leste em 28 de novembro de 1975. Ela tirou fotografias dos nossos líderes, incluindo do Presidente Nicolau Lobato, que serão para sempre imagens preciosas e icónicas para a nossa nação”, recordou.
A jornalista foi evacuada pela Cruz Vermelha Internacional quatro dias antes da invasão da Indonésia e, a 7 de dezembro, regressou à Austrália, antes de se mudar para Portugal onde viveu nos últimos 20 anos.
Jill regressou a Timor-Leste em 1994, através de uma viagem clandestina às montanhas para localizar e entrevistar o líder da resistência, Konis Santana. A sua entrevista com Santana teve o dom de expor mais violações aos direitos humanos pelos militares indonésios em Timor-Leste.
Jill dedicou a sua vida a investigar as mortes dos Cinco de Balibó e do jornalista australiano Roger East, assassinado na orla marítima de Díli, no início da invasão indonésia. O seu livro sobre o assassinato dos Cinco de Balibó e Roger East foi transformado no filme Balibó.
Após a Restauração da Independência, Jill continuou a lutar por Timor-Leste, pressionando por justiça na campanha da divisão das fronteiras do Mar de Timor. Em 2014, foi condecorada ao mais alto nível com a Medalha da Ordem de Solidariedade de Timor-Leste.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Maria Auxiliadora




