MANUFAHI, 13 de abril de 2026 (TATOLI) – O Ministério da Saúde (MS), em parceria com o Governo do Japão e com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA), inaugurou hoje o Centro de Cuidados de Emergência Obstétrica e Neonatal-Básica (KEmON-B) no Centro de Saúde Comunitário de Fatuberliu, em Manufahi, com o objetivo de reforçar as emergências maternas e neonatais, bem como reduzir a mortalidade de mães e recém-nascidos.
A nova infraestrutura foi inaugurada pelo Vice-Ministro para o Fortalecimento Institucional da Saúde, José Magno, pelo Embaixador do Japão em Timor-Leste, Yamamoto Yasushi, e pela Representante da UNFPA no país, Navchaa Suren, na presença de representantes da Autoridade Municipal de Manufahi e da Polícia Nacional, de líderes religiosos, veteranos e comunidade.
A iniciativa visa assegurar serviços essenciais de saúde materna e neonatal, reduzindo a distância no acesso a cuidados de emergência obstétrica e aproximando os serviços de saúde dos moradores dos sucos de Bubususu, Kaikassa, Klakuk, Fahinehan e Fatukahi.
Para Navchaa Suren, a inauguração do centro é um marco importante na prestação de cuidados de saúde de qualidade para grávidas e recém-nascidos.
A responsável destacou a importância da parceria institucional para o reforço do sistema de saúde e para o avanço das prioridades estratégicas na área da saúde materna e neonatal.
“Timor-Leste registou progressos na saúde materna e neonatal, mas persistem desafios, sobretudo nas zonas rurais, onde muitos partos ainda ocorrem em casa sem assistência de profissionais qualificados. Por isso, é essencial reforçar o acesso a cuidados de emergência obstétrica e neonatal de qualidade”, afirmou.
Segundo Navchaa Suren, a intervenção conjunta do Japão, da UNFPA e do MS permitiu reforçar estes cuidados através de quatro eixos principais: a melhoria das infraestruturas de saúde; a disponibilização de equipamentos e materiais essenciais; a capacitação dos profissionais de saúde; e a mobilização comunitária para promover a procura atempada de serviços de saúde.
A responsável referiu ainda que cerca de 1.900 mulheres em idade reprodutiva vivem em Fatuberliu. Em 2024, registaram-se 222 gravidezes, incluindo 25 casos de complicações maternas.
“Este centro contribuirá para reduzir atrasos no acesso aos cuidados, aliviar a pressão sobre os hospitais de referência e, sobretudo, prevenir mortes maternas e neonatais”, acrescentou.
O Centro KEmON-B de Fatuberliu é o segundo inaugurado no âmbito da parceria entre Timor-Leste e o Japão, com o apoio técnico da UNFPA, prevendo-se a expansão deste modelo a 18 centros de saúde comunitários em todo o território.
Por sua vez, Yamamoto Yasushi afirmou que o objetivo do programa é garantir que todas as mulheres timorenses possam dar à luz em segurança e que todas as crianças tenham um início de vida saudável.
“A inauguração deste centro não representa apenas a abertura de uma infraestrutura, mas sim de um passo decisivo para um futuro mais seguro para as próximas gerações”, sublinhou.
O diplomata apelou ainda ao MS e às autoridades municipais para assegurarem a manutenção adequada da unidade, incluindo a afetação de recursos humanos e financeiros suficientes para o seu funcionamento eficaz.
Yamamoto Yasushi reiterou que o Japão continuará a ser um parceiro estratégico no reforço do sistema de saúde timorense, manifestando a expectativa de que o centro contribua para a melhoria da saúde e para o bem-estar da população de Fatuberliu.
Na mesma linha, José Magno destacou que o centro permitirá prestar cuidados essenciais às mulheres durante a gravidez, o parto e o período pós-natal, assegurando intervenções atempadas em situações de risco.
“Inaugurar este centro é reafirmar o compromisso do Governo em proteger a vida das mulheres e dos recém-nascidos, garantindo cuidados de saúde de qualidade, acessíveis e dignos para as famílias e comunidades”, afirmou.
O governante agradeceu ao Executivo nipónico pelo apoio contínuo ao setor da saúde e à UNFPA pela assistência técnica, que tem permitido transformar investimentos em resultados concretos na salvaguarda de vidas.
O Centro KEmON-B de Fatuberliu conta com um médico e uma parteira, ambos com formação intensiva de 26 dias no Hospital Nacional Guido Valadares (HNGV), em cuidados obstétricos e neonatais, e certificados pelo Instituto Nacional de Saúde Pública de Timor-Leste.
Entre os principais serviços prestados destacam-se a assistência ao parto complicado, o uso de equipamentos como ventosa obstétrica, o tratamento de retenção da placenta, a administração de medicamentos para indução do parto e o controlo de hemorragias.
Contudo, o centro não realizará cesarianas nem transfusões de sangue, serviços que continuarão a ser assegurados pelos hospitais de referência e pelo HNGV.
Recorde-se que o UNFPA tinha estabelecido, em 2021, quatro centros deste tipo como modelo piloto em Manufahi, Ataúro, Liquiçá e Viqueque. Posteriormente, com apoio do Governo da Austrália, foram criados mais dois centros em Gleno (Ermera) e Pássabe (Oé-Cusse). Atualmente, existem oito centros KEmON-B em funcionamento no país.
Em 2024, o Executivo japonês assinou um acordo com a UNFPA, no valor de 7,5 milhões de dólares americanos, para a construção de mais 20 centros, contribuindo para a meta do MS de estabelecer 36 unidades até 2030.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




