DÍLI, 22 de novembro de 2021 (TATOLI) – O Ministério das Finanças (MF) e a Agência de Cooperação Internacional da Coreia (KOICA, em inglês) assinaram hoje um acordo de contribuição financeira no valor de cinco milhões de dólares americanos para a digitalização dos documentos do Centro Nacional Chega (CNC).
O Ministro das Finanças, Rui Gomes, afirmou que a assinatura deste acordo permite transformar o CNC num centro nacional de qualidade, reforçando a capacidade nacional e regional na reconciliação de conflitos e manutenção da paz.
“O projeto tem como objetivo reforçar a responsabilidade nacional e a capacidade de construir um futuro melhor para o país, em termos de paz, justiça e prosperidade, baseado na experiência de 25 anos de violações dos direitos humanos e injustiças durante o conflito político de 1974 a 1999”, referiu o governante no seu discurso, em Balide, Díli.
Rui Gomes recordou ainda que este evento marca um ponto crucial no desenvolvimento dos trabalhos do CNC, uma instituição importante criada em outubro de 2016, ao abrigo do decreto-lei n.º 48/2016, quando Rui Maria de Araújo era Primeiro-Ministro.
“Em julho de 2017, o CNC estava operacional com a nomeação de um conselho de supervisão e um órgão executivo com a tarefa de dar vida à mensagem do Chega, do relatório final da CAVR e das recomendações da comissão para a verdade e amizade”, lembrou.
Segundo Rui Gomes, o país celebra o 46.º aniversário da sua proclamação da independência no dia 28 de novembro e mais de 200 mil pessoas morreram durante mais de duas décadas nesta luta.
“O Centro Nacional Chega documenta todos os abusos dos direitos humanos de 1974 a 1999. A sua missão é a preservação do arquivo e memórias e a disseminação de informações”, disse.
O governante destacou a importância de trabalhar em parceria com o Governo coreano para aprofundar o serviço do CNC, defendendo que os timorenses partilham dos ideais de paz nas regiões da ASEAN para aprofundar e promover a democracia e os direitos humanos.
Também o Embaixador coreano em Timor-Leste, Jeong Ho Kim, recordou que a Coreia do Sul e Timor-Leste viveram experiências históricas semelhantes desde a ocupação.
O diplomata sublinhou ainda que, para recuperar dos danos e das dores causados durante os conflitos, é necessário relembrar e aprender com a história de violação dos direitos humanos e da justiça.
“Damos hoje um passo em frente para lançarmos oficialmente uma luz sobre a história negra de Timor-Leste. Através deste apoio, o povo timorense será encorajado a cultivar a memória e a consciência da história”, frisou.
Recorde-se que o Governo aprovou, no passado dia 17 de novembro, um acordo entre Timor-Leste e a KOICA para a digitalização dos documentos do CNC, autorizando a respetiva assinatura pelo Ministro das Finanças, Rui Gomes.
Notícia relevante: Governo autoriza digitalização de documentos do CNC para preservação
Jornalista: Isaura Lemos de Deus
Editora: Maria Auxiliadora




