El Niño prolongado coloca Timor-Leste entre países mais vulneráveis aos impactos climáticos

DÍLI, 9 de setembro de 2026 (TATOLI) – A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou para uma probabilidade próxima dos 100% de o fenómeno climático El Niño se prolongar até fevereiro de 2027, aumentando os riscos para a segurança alimentar, a produção agrícola e as populações.
Perante os possíveis impactos socioeconómicos e climáticos, a Organização Internacional para Migrações (OIM) lançou um apelo de 110 milhões de dólares americanos destinado a proteger cerca de cinco milhões de pessoas e apoiar 712 parceiros em regiões consideradas vulneráveis.
Timor-Leste está entre os países acompanhados pela OIM na região da Ásia e do Pacífico, devido à sua vulnerabilidade a secas agrícolas e aos impactos climáticos sobre as comunidades costeiras e urbanas.
Moçambique e a Guiné-Bissau integram igualmente a rede de monitorização da organização em África. Moçambique é historicamente afetado por secas e ciclones, enquanto a Guiné-Bissau enfrenta riscos crescentes associados às variações da precipitação, que poderão afetar a produção agrícola e provocar deslocamentos populacionais.
Angola, por sua vez, integra a área de acompanhamento do comité de emergência, uma vez que enfrenta riscos crescentes de secas prolongadas no sul do país e pressões sobre populações que dependem da atividade pastoril.
Experiências reforçam ação preventiva
De acordo com a OIM, as ações antecipadas desenvolvidas em 2025 permitiram apoiar milhares de pessoas antes da ocorrência de choques climáticos, um modelo que a organização pretende reforçar no novo ciclo de resposta.
Por sua vez, o Programa Alimentar Mundial (PAM) recorda que o impacto do El Niño entre 2015 e 2016 foi um dos mais intensos alguma vez registados, tendo afetado mais de 60 milhões de pessoas em todo o mundo através de secas, inundações e outros desastres relacionados com o clima.
Entre 2023 e 2024, o fenómeno voltou a provocar uma grave seca na África Austral, afetando cerca de 68 milhões de pessoas.
Com base nestas experiências, segundo o PAM, a OIM começou a reforçar as medidas preventivas. Em 2025, a agência realizou missões humanitárias no Haiti, em Moçambique, no Níger, na Nigéria e nas Filipinas antes da ocorrência de catástrofes previstas, protegendo cerca de 313 mil pessoas.
A estratégia da OIM foca-se na ação antecipada, combinando análises sobre os movimentos populacionais com previsões meteorológicas e climáticas, com o objetivo de identificar as zonas mais expostas ao risco de calamidades.
O orçamento está dividido em três frentes operacionais. A primeira centra-se na análise de dados e mobilidade, para mapeamento de rotas e elaboração de projeções sobre possíveis deslocamentos populacionais.
A segunda diz respeito à preparação e à ação antecipada, incluindo sistemas de alerta comunitário, infraestruturas de proteção e planos de contingência.
A última prevê uma resposta rápida, através da distribuição de abrigo, água, assistência sanitária e serviços de proteção.
A Diretora-Geral adjunta da OIM, Ugochi Daniels, afirmou que, embora as previsões não eliminem todas as incertezas, permitem ganhar tempo para preparar respostas e reduzir os riscos.
Cooperação e financiamento flexível
A organização deverá trabalhar com autoridades nacionais e locais, com entidades da ONU, com Organizações Não-Governamentais e com organizações comunitárias em África, na Ásia e no Pacífico, no Médio Oriente, na América Latina e nas Caraíbas.
Segundo a OIM, a flexibilidade do financiamento será fundamental para permitir o redireccionamento rápido de recursos para os países onde as previsões climáticas e as avaliações operacionais indiquem que a intervenção é mais urgente.
Equipa da Tatoli

