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Timor-Leste lidera definição de posição comum dos Países Menos Desenvolvidos para COP31

O Enviado Especial de Timor-Leste para os Assuntos Climáticos e Presidente do Grupo dos PMD, Adão Barbosa, e representantes dos parceiros de desenvolvimento iniciaram hoje a preparação de uma estratégia comum para as negociações da 31.ª Conferência das Partes da COP31. Foto: Afonso do Rosário

DÍLI, 1 de setembro de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste, enquanto Presidente do Grupo dos Países Menos Desenvolvidos (PMD), iniciou hoje, em Díli, a definição de uma estratégia comum para as negociações da 31.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31).

A estratégia terá como principais prioridades o financiamento climático, a adaptação, a mitigação, a transição justa e as perdas e danos.

A estratégia está a ser discutida na reunião estratégica e ministerial do Grupo dos PMD, que decorre no Salão Nobre do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, com a participação de representantes dos países do grupo, parceiros de desenvolvimento e especialistas.

O Enviado Especial de Timor-Leste para os Assuntos Climáticos e Presidente do Grupo dos PMD, Adão Barbosa, afirmou que o encontro deverá permitir estabelecer uma posição de negociação “clara e unificada” dos PMD para a COP31 e identificar as questões que necessitam de orientação política dos ministros.

Está a decorrer até ao dia 4, em Díli, a reunião dos Países Menos Desenvolvidos (PMD). Foto: Afonso do Rosário.

“Para os países menos desenvolvidos, o financiamento climático não é uma questão distante. Já está a destruir vidas e meios de subsistência, a enfraquecer a segurança alimentar e hídrica, a danificar infraestruturas, a deslocar comunidades e a fazer recuar ganhos de desenvolvimento conquistados com dificuldade”, afirmou.

Segundo Adão Barbosa, os PMD contribuíram menos para a crise climática, mas enfrentam algumas das maiores dificuldades para mobilizar os recursos necessários para responder aos seus impactos.

Neste contexto, defendeu uma posição comum sobre o financiamento climático, incluindo a necessidade de se aumentar os recursos, melhorar a qualidade do financiamento, garantir acesso simplificado e direto, reforçar a previsibilidade e aumentar o apoio técnico e institucional aos países vulneráveis.

O Presidente do Grupo dos PMD considerou igualmente necessário acelerar a implementação dos Planos Nacionais de Adaptação, garantindo financiamento, tecnologia e capacitação para transformar os planos em ações concretas.

O Enviado Especial de Timor-Leste para os Assuntos Climáticos e Presidente do Grupo dos PMD, Adão Barbosa, e representantes dos parceiros de desenvolvimento posaram para uma fotografia. Foto: Afonso do Rosário

Sobre a mitigação, defendeu que os resultados do primeiro Balanço Global do Acordo de Paris se devem traduzir em medidas nacionais e internacionais mais ambiciosas, compatíveis com o objetivo de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 graus Celsius.

Adão Barbosa salientou ainda que a transição para um desenvolvimento de baixas emissões e resiliente às alterações climáticas deve ser justa e equitativa, respeitando as circunstâncias nacionais, as prioridades de desenvolvimento e a necessidade de se ampliar o acesso à energia.

Outro dos pontos prioritários é a questão das perdas e danos, tendo o responsável defendido recursos adequados, previsíveis e acessíveis para os países e comunidades que enfrentam impactos climáticos que ultrapassam a sua capacidade de adaptação.

A estratégia do grupo deverá ainda abranger a tecnologia, a transparência, a aplicação do artigo 6.º do Acordo de Paris – que estabelece regras para a cooperação internacional voluntária entre países na redução de emissões de gases de efeito de estufa -, a agricultura, a capacitação, o género e as alterações climáticas, bem como as relações entre o clima, o comércio, a saúde, os oceanos, as montanhas e a migração.

O responsável afirmou que, no final da reunião, o Grupo dos PMD deverá ter uma estratégia de negociação prioritária para a COP31, questões políticas claras para apresentar aos ministros, acordos sobre principais etapas e parcerias e um projeto de declaração ministerial com medidas concretas.

“Não devemos levar aos nossos ministros questões técnicas que os nossos especialistas podem resolver nesta sala. A atenção dos ministros deve estar reservada às escolhas políticas que exigem autoridade”, disse.

A reunião ministerial, prevista para 3 de setembro, deverá analisar as principais questões políticas e orientar a posição do Grupo dos PMD para as negociações climáticas internacionais.

Para Adão Barbosa, a unidade será uma das principais forças do grupo nas negociações, defendendo que a COP31 deve produzir condições concretas para reforçar a implementação do Acordo de Paris e responder às necessidades dos países mais vulneráveis.

Notícia relevante: Timor-Leste vai receber Reunião do Grupo dos Países Menos Desenvolvidos

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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