Parceiros internacionais defendem maior financiamento para ação climática nos Países Menos Desenvolvidos

DÍLI, 1 de setembro de 2026 (TATOLI) – O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Banco Mundial e o Banco Asiático de Desenvolvimento (BAD) defenderam hoje, em Díli, uma maior mobilização de financiamento, capacidade técnica e parcerias para ajudar os Países Menos Desenvolvidos (PMD) a transformar os seus planos climáticos em ações concretas.
As posições foram apresentadas durante a reunião estratégica e ministerial do Grupo dos PMD, presidido por Timor-Leste, que reúne representantes dos países membros e parceiros internacionais para preparar prioridades comuns para a 31.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP31).
PNUD: justiça climática exige desenvolvimento mais equitativo
A Representante do PNUD em Timor-Leste, Katyna Argueta, afirmou que a justiça climática deve ser acompanhada por um desenvolvimento mais equitativo, salientando que os impactos das alterações climáticas não são distribuídos de forma igual entre os países.
“Quando as alterações climáticas são globais, as suas consequências não são iguais”, afirmou, adiantando que, para os PMD, a crise climática não constitui apenas um desafio ambiental, mas também uma ameaça à erradicação da pobreza, à segurança alimentar, à saúde, à educação e ao direito das populações de construir um futuro melhor.
Katyna Argueta destacou os esforços das comunidades, das mulheres, dos jovens, dos agricultores e dos Governos dos PMD na construção da resiliência climática, mas sublinhou que esses esforços necessitam de recursos, nomeadamente financiamento climático acessível, previsível e adequado.
A dirigente garantiu que o PNUD continuará a apoiar os PMD na construção de resiliência, mobilização de financiamento climático e criação de condições para que, nenhum país, comunidade ou geração, seja deixado para trás.
Banco Mundial: transformar planos climáticos em investimentos
A economista do Grupo Banco Mundial para Timor-Leste, Amina Coulibaly, destacou a forte ligação entre clima e desenvolvimento, afirmando que as alterações climáticas já afetam a segurança alimentar e hídrica, as infraestruturas, a saúde, o emprego, as finanças públicas e os meios de subsistência das comunidades.
A responsável reconheceu os progressos dos PMD na preparação dos Planos Nacionais de Adaptação e das Contribuições Determinadas a Nível Nacional, defendendo agora maior atenção à implementação e à transformação das prioridades nacionais em programas que produzam benefícios concretos para as populações.
Amina Coulibaly considerou igualmente essencial garantir financiamento climático previsível, acessível e adequado à capacidade institucional e fiscal de cada país, destacando o papel dos donativos e dos recursos altamente concessionais nos países mais vulneráveis e com espaço fiscal limitado.
Sobre Timor-Leste, revelou que o Banco Mundial está a trabalhar com o Governo e com as instituições nacionais na preparação do primeiro Relatório sobre Clima e Desenvolvimento do País, que analisará a relação entre os riscos climáticos e os objetivos de desenvolvimento de Timor-Leste, identificando oportunidades para reforçar a resiliência, a diversificação económica, o capital humano e a gestão sustentável dos recursos naturais.
BAD: transformar estratégias em projetos financiáveis
Na mesma linha, o diretor do BAD em Timor-Leste, Artur Andrysiak, afirmou que a reunião constitui uma oportunidade para os PMD reforçarem uma posição comum antes da COP31.
O responsável alertou que os impactos climáticos estão a tornar-se mais frequentes e severos, enquanto muitos países continuam a enfrentar dificuldades no acesso ao financiamento, à tecnologia e à capacidade necessárias para responder à crise.
“É necessário ajudar os países a passar dos planos e estratégias para projetos financiáveis, reforçar a capacidade institucional, mobilizar financiamento climático e construir parcerias capazes de produzir resultados de desenvolvimento em grande escala”, afirmou.
O BAD acrescentou que continuará a apoiar Timor-Leste e outros países da região no reforço da resiliência climática, na melhoria dos meios de subsistência, na promoção de infraestruturas sustentáveis e no planeamento da adaptação.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus

