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Mais de sete mil crianças beneficiam de programa de saúde e nutrição infantil

Foto:Cidalia de Fátima

DÍLI, 27 de agosto de 2026 (TATOLI) – Mais de sete mil crianças beneficiaram do Programa de Reforço da Saúde, da Nutrição e dos Cuidados Responsivos para Crianças em Timor-Leste, uma iniciativa de saúde e nutrição infantil implementada desde 2023, em Baucau e Viqueque.

Os resultados do programa, implementado pelo Governo em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e com o apoio do Reino Unido, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, da Commonwealth e do Desenvolvimento (FCDO, em inglês), foram apresentados hoje durante a cerimónia de encerramento, realizada em Díli.

A iniciativa teve como objetivos reforçar os serviços comunitários de nutrição, melhorar a identificação de crianças em risco de desnutrição e facilitar o seu encaminhamento para os serviços de saúde.

Durante a implementação, 86 profissionais de saúde receberam formação para prestar aconselhamento nutricional, realizar rastreio regular da desnutrição aguda, encaminhar casos para tratamento e promover práticas adequadas de alimentação de bebés e crianças.

O programa apoiou ainda 112 grupos de apoio às mães e contribuiu para melhorar os mecanismos de encaminhamento entre as comunidades e os serviços de saúde.

A iniciativa permitiu igualmente reforçar a recolha de dados sobre nutrição e promover o diálogo nacional sobre sistemas alimentares e alimentação adequada durante os primeiros mil dias de vida.

A Assessora de Saúde e Chefe da Equipa de Saúde da Embaixada do Reino Unido para a Indonésia e Timor-Leste, Julia Takahashi-Robertson, destacou a cobertura do programa e a importância de se testar uma abordagem centrada nas comunidades. Salientou que o programa permitiu ao Reino Unido e aos parceiros trabalhar simultaneamente com as comunidades em municípios, em vez de se concentrar a intervenção apenas em Díli.

“Uma das coisas de que mais gosto neste programa é o facto de ter trabalhado através das comunidades. Conseguimos envolver mulheres e crianças, compreender as suas necessidades e, ao mesmo tempo, trabalhar com os municípios”, disse.

Questionada sobre a possibilidade de expansão da iniciativa para outros municípios, a responsável esclareceu que o apoio do FCDO termina com a conclusão do programa.

“Da nossa parte, o programa está a terminar. No entanto, vemos esta iniciativa como uma base e um exemplo que outros podem desenvolver”, afirmou, salientando que os resultados podem ser utilizados por outros parceiros de desenvolvimento ou pelo Ministério da Saúde para dar continuidade às intervenções e eventualmente alargá-las a outras zonas do país.

Por sua vez, a Representante da UNICEF em Timor-Leste, Patrizia DiGiovanni, destacou que o principal valor do programa está nas experiências e evidências produzidas para ajudar a melhorar o sistema nacional de nutrição.

“Este projeto foi concebido para aprendermos o que funciona. Não se tratava apenas de prestar serviços às crianças, mas de perceber como podemos fazer as coisas de forma diferente e o que pode ser integrado nos programas regulares”, referiu.

Patrizia DiGiovanni explicou que a UNICEF pretende que as lições retiradas da experiência em Baucau e Viqueque contribuam para melhorar as políticas e os serviços destinados às crianças em todo o país.

A responsável considerou que a desnutrição infantil não pode ser combatida apenas através dos serviços de saúde, uma vez que as suas causas estão relacionadas com vários fatores, incluindo a agricultura, a disponibilidade de alimentos, a água, os mercados, as políticas públicas e as condições económicas das famílias.

Defendeu, por isso, uma maior articulação entre o Governo, os municípios, as comunidades, as famílias e o setor privado para melhorar a alimentação das crianças.

O Diretor-Executivo do Conselho Nacional de Segurança e Soberania Alimentar e Nutricional de Timor-Leste, Komar Mendonça, por seu turno, afirmou que a redução da desnutrição depende de uma coordenação contínua entre os ministérios responsáveis pela saúde, pela agricultura, pela segurança alimentar e por outras áreas relevantes, destacando a ligação entre agricultura e nutrição. Defendeu ainda o aumento da produção nacional de alimentos nutritivos para garantir uma alimentação adequada às crianças.

“Depois dos seis meses, as crianças devem começar a receber alimentos complementares adequados, nutritivos e sustentáveis, preferencialmente provenientes da produção local, para apoiar o seu crescimento e desenvolvimento”, destacou.

O responsável salientou também a importância de se sensibilizar as famílias para a adoção de práticas alimentares adequadas e incentivar os jovens a considerar a agricultura como um setor importante para o desenvolvimento e para a segurança alimentar do país.

Noticia relevante: Governo lança programa para reforçar nutrição materno-infantil em Ermera

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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