Inundações e deslizamentos na fronteira entre Nepal e China fazem 160 mortos e deixam mais de 680 desaparecidos

DÍLI, 27 de agosto de 2026 (TATOLI) — Pelo menos 160 pessoas morreram e mais de 680 estão dadas como desaparecidas na sequência das inundações repentinas e dos deslizamentos de terras que atingiram, esta quarta-feira, a região fronteiriça entre o Nepal e a China.
O fenómeno provocou também uma extensa destruição de infraestruturas e desencadeou operações de busca e resgate de ambos os lados da fronteira.
No Nepal, a polícia informou que as equipas de emergência recuperaram 157 corpos e resgataram 54 pessoas das zonas atingidas pelas cheias. Do lado chinês, os meios de comunicação estatais indicaram três mortos e 265 desaparecidos na região do Tibete meridional.
Segundo o Gabinete do Primeiro-Ministro do Nepal, entre os desaparecidos encontram-se militares, agentes da polícia e trabalhadores civis envolvidos em projetos hidroelétricos.
As autoridades nepalesas tinham inicialmente registado 484 turistas e viajantes como desaparecidos, incluindo 391 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses. Entre as nacionalidades identificadas estão cidadãos da Índia, do Reino Unido, da África do Sul, da Malásia, da Austrália e dos Países Baixos.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul informou, entretanto, que oito cidadãos sul-coreanos permaneciam incontactáveis e que outros dez estavam retidos no Nepal devido às inundações.
Extensa destruição de infraestruturas
As cheias provocaram danos generalizados nos distritos nepaleses de Rasuwa, Dhading e Chitwan. Pelo menos 19 pontes foram destruídas, enquanto cerca de 40 quilómetros de estradas e 13 projetos hidroelétricos ficaram danificados, de acordo com uma avaliação preliminar do Governo. Também cerca de 200 camiões foram arrastados pelas águas.
“Devido às inundações, um grande número de projetos hidroelétricos, edifícios governamentais e infraestruturas rodoviárias foi destruído”, afirmou o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Nepal, Sishir Khanal, durante uma intervenção no Parlamento.
Equipas da Polícia e do Exército do Nepal foram mobilizadas para as áreas afetadas, com recurso a helicópteros, drones e botes insufláveis para localizar e retirar sobreviventes. Em Catmandu, hospitais públicos e instalações médicas das forças de segurança foram preparados para receber os feridos.
Deslizamento terá desencadeado inundação de detritos
Do lado chinês, a agência estatal Xinhua informou que um deslizamento de terras ocorreu nas proximidades do porto de Gyirong, uma das principais passagens fronteiriças entre os dois países, no sudoeste da Região Autónoma do Xizang, conhecida também como Tibete.
O desastre natural interrompeu as estradas de acesso ao porto do lado chinês, bem como as comunicações e o fornecimento de eletricidade, segundo o Gabinete de gestão de emergências do condado de Gyirong.
O Presidente chinês, Xi Jinping, ordenou que fossem feitos esforços “a todo o custo” para localizar e resgatar as pessoas afetadas, além da retirada de habitantes das zonas de risco e da prestação rápida de assistência médica aos feridos.
Uma análise preliminar de imagens de satélite da Planet Labs sugere que um deslizamento de neve e rochas junto à fronteira entre o Nepal e a China poderá ter desencadeado uma inundação carregada de detritos no rio Lhende. As autoridades nepalesas continuam, contudo, a avaliar a origem e a dimensão total da catástrofe.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos da América indicou que a atividade sísmica inicialmente associada ao desastre resultou de um deslizamento de terras que gerou sinais sísmicos correspondentes a uma magnitude de 5,2. Inicialmente, as autoridades tinham apontado para um sismo de magnitude 4,4 como possível causa da avalanche que precedeu as inundações.
Índia envia ajuda humanitária
A Índia anunciou apoio ao Nepal. O Primeiro-Ministro indiano, Narendra Modi, afirmou ter contactado o seu homólogo nepalês, Balendra Shah, para apresentar condolências e assegurar que Nova Deli está preparada para prestar toda a assistência humanitária necessária.
“As nossas equipas estão a coordenar-se estreitamente nos esforços de salvamento e assistência”, escreveu Modi na rede social X.
A Índia enviou dez toneladas de ajuda humanitária, material de emergência e medicamentos essenciais para apoiar as operações de resposta.
As autoridades indianas também reforçaram a vigilância das zonas vulneráveis ao longo dos rios, enquanto os habitantes de áreas baixas foram aconselhados a deslocar-se rapidamente para locais seguros.
A região de Rasuwagadhi é frequentemente atravessada por turistas e peregrinos. A zona serve de acesso aos trilhos de Langtang, um dos destinos de montanhismo e caminhada mais procurados do Nepal, e é também utilizada por viajantes que seguem em direção ao monte Kailash e ao lago Manasarovar, na China.
As operações de busca e resgate prosseguem nos dois lados da fronteira, enquanto as autoridades continuam a atualizar o número de vítimas e desaparecidos.
Fonte: Bernama

