DÍLI, 14 de julho de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, prestou, esta segunda-feira, a última homenagem a Paula Pinto, durante as cerimónias fúnebres realizadas no Cemitério de Becusse, em Díli, destacando o seu “contributo silencioso, incansável e decisivo para a luta pela independência de Timor-Leste”.
O Chefe de Estado descreveu Paula Pinto como uma das amigas “mais dedicadas e coerentes” da causa timorense, sublinhando o seu percurso de cinco décadas ao lado do povo timorense, marcado pela discrição, pela integridade e pelo compromisso com a liberdade.
“Ela preferia a última fila e a penumbra”, afirmou Ramos-Horta, referindo-se à personalidade reservada de Paula Pinto, que evitava o protagonismo público, apesar do papel relevante que desempenhou durante os períodos mais difíceis da resistência timorense.
Segundo o PR, Paula Pinto, que exerceu funções como tradutora na União Europeia, dedicou grande parte da sua vida ao apoio à resistência de Timor-Leste, sobretudo durante a ocupação indonésia.
Ramos-Horta recordou o papel desempenhado por Paula Pinto em 1999, quando se deslocou a Jacarta para criar um gabinete de apoio a Xanana Gusmão, então líder da resistência timorense detido pelas autoridades indonésias. A missão permitiu reforçar a ligação com a comunidade internacional e apoiar a coordenação política e logística da resistência durante o processo que conduziu à Consulta Popular de 1999.
Naquele período, Paula Pinto integrou, juntamente com Kirsty Sword e com Natacha Meden, o grupo apelidado pela imprensa internacional de “Charlie’s Angels”, responsável pelo apoio operacional e pela gestão das comunicações da liderança da resistência timorense.
O PR destacou ainda o envolvimento de Paula Pinto numa operação que garantiu a transferência de Xanana Gusmão para Darwin, na Austrália, após o referendo de 1999.
Após a restauração da independência, em 2002, Paula Pinto permaneceu em Timor-Leste, onde continuou ligada à construção do Estado timorense, desempenhando funções de administradora e assessora próxima do Congresso Nacional da Reconstrução Timorense.
“Fez da causa de Timor-Leste a causa da sua própria vida”, afirmou Ramos-Horta num comunicado a que a Tatoli teve acesso, acrescentando que, apesar de ter evitado o reconhecimento público, o seu nome e contributo “ficarão gravados para sempre na história da caminhada de Timor-Leste rumo à liberdade”.
Também o antigo Primeiro-Ministro Mari Alkatiri recordou Paula Pinto como uma ativista veterana e companheira de longa data de Roque Rodrigues, destacando a sua dedicação à causa da autodeterminação timorense.
Paula Pinto desenvolveu atividades em Portugal, na Europa e noutros países, assumindo diferentes funções como tradutora, profissional independente e colaboradora da resistência timorense desde 1976. Ao longo de décadas, foi reconhecida pelo seu empenho, profissionalismo e espírito de sacrifício em defesa da independência do país.
Apesar da sua longa dedicação à causa nacional, Paula Pinto nunca recebeu uma distinção formal por parte do Estado timorense.
Paula Pinto, cidadã portuguesa nascida no Reino Unido a 10 de maio de 1957, faleceu a 13 de julho de 2026, aos 69 anos, no Hospital Nacional Guido Valadares, em Díli.
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