DÍLI, 14 de julho de 2026 (TATOLI) – A redução do financiamento humanitário internacional está a ameaçar a continuidade das organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres em Timor-Leste, segundo um relatório da ONU Mulheres.
O estudo, que analisa a situação de organizações de direitos das mulheres em 52 países, incluindo Timor-Leste, revela que os cortes orçamentais estão a limitar a capacidade de resposta das entidades face ao aumento das necessidades das comunidades.
Em Timor-Leste, a diminuição dos recursos financeiros coloca em risco a sustentabilidade de um setor de Organizações Não-Governamentais ainda jovem e fortemente dependente de financiamento internacional. Estas entidades desempenham um papel importante no apoio às mulheres, nomeadamente na prevenção e resposta à violência de género, no acolhimento de vítimas e na promoção da autonomia económica.
O relatório destaca que, nos países analisados, muitas organizações enfrentam dificuldades para manter programas essenciais devido à falta de recursos. A redução do financiamento afeta centros de apoio e espaços seguros para mulheres, serviços de acompanhamento de casos de violência de género e iniciativas destinadas ao empoderamento económico e à subsistência feminina.
A ONU Mulheres alerta que o enfraquecimento destas estruturas ocorre num contexto marcado pelo aumento de crises humanitárias, económicas, climáticas e de segurança, que agravam a vulnerabilidade das mulheres e raparigas.
No conjunto dos 52 países avaliados, a manutenção de centros e espaços seguros para mulheres sofreu uma redução de 62%, enquanto os serviços de gestão de casos de violência de género diminuíram 61%. Cerca de 72% dos programas de empoderamento económico e de apoio à subsistência das mulheres foram igualmente afetados pelos cortes financeiros.
O relatório indica ainda que a redução dos serviços de apoio contribuiu para o agravamento da vulnerabilidade económica e da pobreza extrema, bem como para o aumento de casos de violência física, sexual e emocional, casamentos infantis ou forçados e práticas de sobrevivência associadas à exploração sexual.
Em Timor-Leste, onde muitas organizações da sociedade civil dependem de financiamento externo, a falta de recursos poderá comprometer a continuidade dos projetos destinados a apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade.
A ONU Mulheres recomenda aos doadores a adoção de financiamentos plurianuais e flexíveis, capazes de cobrir custos operacionais das organizações e não apenas projetos específicos. A agência defende ainda a simplificação do acesso aos fundos e o reforço da agenda da igualdade de género, para garantir respostas mais sustentáveis e alinhadas com os objetivos de desenvolvimento sustentável.
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Equipa da Tatoli




