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Vendedores ambulantes recordam humildade de Francisco Guterres “Lú Olo”

Vendedores ambulantes recordam humildade de Francisco Guterres “Lú Olo”

Vendedores ambulantes prestaram homenagem ao antigo Presidente da República, Francisco Guterres “Lú Olo”, no Farol, Díli.

DÍLI, 25 de junho de 2026 (TATOLI) – Em frente à residência do antigo Presidente da República, Francisco Guterres “Lú Olo”, no Farol, em Díli, onde o corpo está a ser velado, um grupo de vendedores ambulantes do Mercado de Taibessi prestou-lhe a última homenagem, levando frutas e produtos locais.

Homens e mulheres de várias idades chegaram ao local com os produtos que habitualmente vendem no dia a dia e formaram uma fila à entrada da residência. Entre lágrimas e orações, os presentes entregaram à família de “Lú Olo” flores, frutas e outros produtos agrícolas que levaram consigo.

Segundo os vendedores, o gesto simboliza gratidão e respeito pelo antigo Chefe de Estado, cuja morte foi recebida com profunda tristeza por esta comunidade.

Florinda dos Reis, vendedora ambulante natural de Turiscai, município de Manufahi, afirmou que a iniciativa partiu dos próprios comerciantes logo após tomarem conhecimento do falecimento de “Lú Olo”.

“Considerávamos o Presidente ‘Lú Olo’ uma grande árvore que dava sombra e proteção às pessoas mais simples. Sentimos uma enorme tristeza com a sua partida e decidimos reunir-nos para lhe prestar a nossa última homenagem”, declarou.

De acordo com Florinda dos Reis, as frutas oferecidas representam também um gesto de carinho e reconhecimento pelo apoio e pela consideração que “Lú Olo” sempre demonstrou para com os vendedores ambulantes, para com os pequenos comerciantes e para com as famílias mais carenciadas.

“A nossa árvore protetora caiu. Viemos agradecer tudo o que fez por nós e desejar que descanse em paz. O seu corpo já não está entre nós, mas o seu espírito permanecerá para sempre”, afirmou.

Por sua vez, Manuel de Jesus, um dos vendedores que mantinha uma relação próxima com “Lú Olo”, recordou os vários anos de convivência com o antigo Presidente da República.

O comerciante contou que, em 2006, quando percorria as ruas de Díli com um carrinho de mão para vender legumes, foi autorizado a entrar na residência de “Lú Olo” para vender os seus produtos. Considera esse gesto raro e marcante.

“Quando vendia legumes com o meu carrinho, o Presidente e a sua esposa autorizaram-me a entrar na sua residência. Com o tempo, tornaram-se clientes habituais e mantivemos essa relação durante quase dois anos”, relatou.

Manuel de Jesus explicou que, mesmo depois de “Lú Olo” ter mudado de residência, continuou a procurá-lo para lhe vender produtos agrícolas.

Segundo o vendedor, antes de se deslocar à residência presidencial costumava contactar previamente os elementos da segurança para confirmar se não havia visitas oficiais, sendo depois autorizado a entrar até à cozinha para entregar os produtos.

“Quando chegava, o Presidente saía para comprar os legumes. Às vezes ficava à conversa comigo e até me convidava para tomar café”, recordou, salientando ainda a simplicidade e humildade demonstradas por “Lú Olo” ao longo dos anos.

“O Presidente pensava realmente em nós, os vendedores ambulantes. Quando soube da sua morte fiquei profundamente abalado. Será muito difícil encontrar outra pessoa com a mesma humildade e consideração pelas pessoas simples”, afirmou.

Manuel de Jesus acrescentou que “Lú Olo” e a sua esposa valorizavam os produtos locais e mantinham uma relação próxima com os pequenos vendedores, algo que, na sua opinião, ficará para sempre na memória dos vendedores ambulantes.

Notícia relevante: Brunei Darussalam e Vietname expressam pesar pela morte de “Lú Olo”

Jornalista: Afonso do Rosário

Editora: Isaura Lemos de Deus

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