iklan

HEADLINE, NACIONAL

Restauração da Independência: Rui Gomes analisa conquistas democráticas e desafios económicos

Restauração da Independência: Rui Gomes analisa conquistas democráticas e desafios económicos

O economista Rui Gomes. Foto da Tatoli/Francisco Sony

DÍLI, 18 de maio de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste assinala este ano 24 anos de Restauração da Independência, mas ainda enfrenta desafios económicos e sociais que exigem decisões urgentes.

A afirmação foi feita pelo economista Rui Gomes, considerando que o país percorreu um caminho notável desde os períodos de conflito, conseguindo estabelecer instituições democráticas “sólidas” e manter estabilidade política numa região marcada por democracias frágeis. “Hoje, Timor-Leste apresenta uma democracia viva e livre. A participação eleitoral ultrapassa os 70% e o país destaca-se pela liberdade de imprensa na região”, disse Rui Gomes à Tatoli.

O ex-Ministro das Finanças afirmou também que a adesão plena à Associação das Nações do Sudeste Asiático abriu caminhos para reforçar a identidade política e económica de Timor-Leste no contexto regional.

Referiu ainda que, na área social, com o apoio de parceiros internacionais, o país eliminou doenças como malária, pólio e tétano neonatal. A esperança média de vida supera os 70 anos, e mais de 1.200 médicos prestam serviço à população. Relativamente às infraestruturas, 98% das casas têm acesso à eletricidade e estradas, portos, aeroportos e escolas continuam a ser construídos com o apoio do Fundo Petrolífero.

No entanto, Rui Gomes alerta que, apesar destes progressos, Timor-Leste enfrenta sérios desafios económicos. Entre 2013 e 2023, a despesa pública média foi de 85% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o crescimento económico anual se manteve em apenas 1,3%, muito abaixo da média regional. A este ritmo, seriam necessários cerca de 53 anos para duplicar o PIB. O Fundo Monetário Internacional estima que cada dólar gasto pelo Governo gera apenas 10 a 20 cêntimos de atividade económica local, um efeito multiplicador muito baixo, devido à elevada dependência de importações.

Para assegurar um crescimento sustentável e diversificado, o economista defende reformas estruturais urgentes:

  • Redirecionar o Fundo Petrolífero para investimentos com alto efeito multiplicador, como energia renovável, portos de pesca comercial e conectividade digital;
  • Reforçar a gestão financeira pública e acelerar a execução de projetos;
  • Investir na saúde para reduzir a desnutrição infantil, atualmente em 47%;
  • Priorizar infraestruturas que tenham impacto social direto, especialmente na saúde e na educação.

Rui Gomes alerta ainda para a necessidade de uma política educacional mais alinhada com as exigências do setor privado, de forma a reduzir o emprego precário entre os jovens. A criação de empregos no setor público não é sustentável, enquanto a economia privada permanece fraca e dependente da despesa pública.

O ex-governante acrescentou que as disparidades entre áreas urbanas e rurais se mantêm elevadas: 98% do PIB concentra-se em Díli, enquanto a pobreza absoluta nas zonas rurais continua elevada. A pobreza multidimensional atinge 45,8%, acima da média regional. Programas sociais, como o Bolsa da Mãe, têm impacto limitado, enquanto projetos para veteranos consomem 5% do PIB, reduzindo a pobreza em apenas 2,6 pontos percentuais.

O economista referiu igualmente que a segurança alimentar também é um desafio: Timor-Leste importa mais de metade do arroz e outros alimentos básicos. O clima de investimento é difícil, devido a obstáculos regulatórios, ineficiências burocráticas e falhas nos registos fundiários, limitando o investimento direto estrangeiro. Grandes projetos, como o Pelican Paradise, enfrentam atrasos prolongados, refletindo a perceção de que o país ainda não é seguro para investidores internacionais.

Rui Gomes concluiu que, apesar do potencial do país e das conquistas democráticas, Timor-Leste continua dependente do Fundo Petrolífero. Para assegurar um futuro sustentável, é urgente reorientar a despesa pública, fortalecer a economia não petrolífera e investir em capital humano e infraestruturas estratégicas. Sem estas medidas, os cidadãos permanecem “à espera e a sobreviver com segurança apenas graças ao conforto financeiro proporcionado pelo Fundo Petrolífero”.

Notícia relevante: Secretário-Geral da ASEAN confirma presença no aniversário da Restauração da Independência

Jornalista: Arminda Fonseca/Tradução: Equipa da Tatoli

Editora: Maria Auxiliadora

iklan
iklan

Leave a Reply

iklan
error: Content is protected !!