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Rejeição de moeda de 200 centavos gera preocupação no comércio

Rejeição de moeda de 200 centavos gera preocupação no comércio

Como distinguir moedas autênticas de moedas falsas de 200 centavos. Foto da Tatoli/António Daciparu

DÍLI, 13 de março de 2026 (TATOLI) – Vários quiosques e lojas em Díli têm recusado transações com moedas de 200 centavos, após o alerta do Banco Central de Timor-Leste (BCTL) sobre a circulação de algumas moedas falsas no mercado nacional, emitido no início do mês.

A proprietária da loja Gianesa, Sónia da Conceição, explicou que a decisão foi tomada por precaução, sobretudo durante o período noturno, quando se torna mais difícil verificar a autenticidade das moedas. “Acompanhamos a notícia de que existem diferenças entre moedas falsas e originais, mas à noite é difícil identificar e, por isso, decidimos não aceitar por enquanto”, explicou.

Segundo a comerciante, a medida é apenas provisória e os estabelecimentos comerciais aguardam que o BCTL e as autoridades competentes resolvam a situação. “Se as moedas de 200 centavos usadas pelos nossos clientes forem falsas, isso constitui prejuízos para nós”, referiu.

Também Jacinta Exposto, proprietária de um quiosque, afirmou ter decidido recusar moedas de 200 centavos após tomar conhecimento da circulação de falsificações, sublinhando que é difícil distinguir entre moedas autênticas e falsas. “Para nós é complicado identificar a diferença”, disse.

Cidadãos fazem fila em frente ao BCTL para trocar moedas de 200 centavos por outras moedas. Foto da Tatoli/António Daciparu

O facto de os estabelecimentos comerciais não aceitarem moedas de 200 centavos preocupa muitos cidadãos. “Mesmo quando levamos moedas originais, as lojas não as aceitam. Agora ficamos sem saber se esse dinheiro ainda tem valor ou não”, disse Laurinda de Jesus, uma moradora de Díli.

Perante a polémica, o BCTL e o Ministério do Comércio e Indústria (MCI) realizaram hoje uma conferência de imprensa nas instalações da instituição, em Díli, para esclarecer a situação e tranquilizar o público.

A Vice-Governadora do BCTL, Sara Lobo Brites, assegurou que as moedas de 200 centavos emitidas pela instituição continuam a ser “oficiais, legais e válidas” em todo o território, apelando aos comerciantes para não rejeitarem a sua utilização nas transações.

“As moedas de 200 centavos emitidas pelo BCTL são dinheiro oficial, têm valor legal e devem continuar a circular normalmente no mercado, pois fazem parte do sistema monetário nacional”, afirmou.

De acordo com a responsável, a conferência de imprensa conjunta realizada no início de março teve como objetivo alertar comerciantes, instituições bancárias e cidadãos para a necessidade de vigilância, após terem sido detetados alguns casos isolados de moedas falsificadas, e não incentivar a rejeição da moeda original. “A informação foi divulgada para reforçar a vigilância, não para levar os comerciantes a recusarem a moeda original”, esclareceu.

Sara Brites explicou ainda que a recusa da moeda por parte de alguns comerciantes cria um problema no circuito económico, sobretudo quando os próprios estabelecimentos entregam moedas de 200 centavos como troco, mas depois recusam recebê-las novamente dos clientes. “Não é correto dar uma moeda aos clientes como troco e depois recusá-la quando esses mesmos clientes tentam utilizá-la”, lamentou.

A Vice-Governadora acrescentou que não existe qualquer decisão oficial que retire valor à moeda de 200 centavos: “Não existe qualquer informação de que a moeda de 200 centavos tenha perdido valor ou deixe de ser válida”, afirmou.

Relativamente à existência de moedas falsificadas, Sara Brites reconheceu que o BCTL detetou um número limitado de exemplares no mercado, razão pela qual a instituição decidiu alertar o público. Ainda assim, garantiu que a maioria das moedas em circulação é autêntica e foi emitida pelo banco central.

A Vice-Governadora do BCTL, Sara Lobo Brites. Foto da Tatoli/António Daciparu

A Vice-Governadora reiterou que o BCTL continua a acompanhar a situação e a trabalhar em coordenação com o MCI e com outras autoridades para reforçar a informação pública e a manter a confiança no sistema monetário nacional.

Na mesma linha, o Diretor-Geral do Comércio do MCI, Elias de Jesus Fátima, informou que o ministério está em constante coordenação com o BCTL e com outras autoridades para monitorizar a situação e a realizar campanhas de sensibilização junto dos comerciantes e consumidores. “A moeda de 200 centavos é oficial e não existe razão para que os negociantes a rejeitem”, afirmou.

Segundo o responsável, equipas conjuntas do MCI e do BCTL irão iniciar, na segunda-feira, ações de sensibilização em mercados, lojas e serviços municipais para explicar as características da moeda original e ajudar a distinguir eventuais falsificações.

O BCTL apelou ainda à população para verificar cuidadosamente as moedas da série de 2017 durante as transações comerciais. A distinção entre a moeda autêntica e a falsa pode começar pela observação da cor e pela qualidade do material. A moeda original apresenta acabamento nítido, superfície regular, gravações bem definidas, incluindo o ano 2017, o logotipo do BCTL em letra pequena, o desenho da montanha e do búfalo, bem como a inscrição “REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE”, com acentuação clara nas letras “Ú” e “Á”.

Por contraste, as moedas falsas apresentam cor menos uniforme, relevo e desenhos pouco definidos, letras com acentuação impercetível ou irregular, logótipo pouco visível e superfície mais áspera. Em alguns casos, o olho do búfalo apresenta profundidade excessiva quando comparado com a moeda autêntica.

Notícia relevante: BCTL confirma circulação de moedas de 200 centavos falsas

Jornalista: Arminda Fonseca/ Tradutor: Afonso do Rosário

Editora: Maria Auxiliadora

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