DÍLI, 2 de março de 2026 (TATOLI) – Timor-Leste condenou os ataques lançados pelo Irão contra os Emirados Árabes Unidos, o Qatar, o Bahrein, o Kuwait, a Jordânia e a Arábia Saudita, considerando que estas ações colocam em risco vidas civis e agravam a instabilidade na região.
Num comunicado a que a Tatoli teve hoje acesso, o Presidente da República, José Ramos-Horta, numa declaração também subscrita pelo Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, afirmou que os países em apreço tinham manifestado de forma clara a sua oposição à utilização do seu território e espaço aéreo para operações militares contra o Irão.
“Estes países foram claros e firmes em opor-se à utilização do seu território e espaço aéreo para operações militares contra o Irão. Contudo, o regime iraniano escolheu atacá-los, colocando em perigo vidas civis em países que não participaram em ataques contra si”, declarou o Chefe de Estado.
Ramos-Horta sublinhou também o papel destes países na promoção de soluções pacíficas na região e além dela, incluindo esforços para uma solução de dois Estados para Israel e a Palestina, bem como para o fim da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, acrescentando que ataques contra estes países “arriscam minar esses esforços e, no processo, prejudicar a própria causa palestiniana”.
No documento, o Chefe de Estado criticou a campanha militar conduzida pelos Estados Unidos da América e por Israel contra o Irão e apelou à contenção e ao fim das hostilidades. “O ataque dos Estados Unidos e de Israel contra um país não dotado de armas nucleares, bem como o assassinato do líder espiritual iraniano, constituem uma violação clara da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional”, afirmou.
“Não foi apresentado qualquer argumento claro de legítima defesa, nem qualquer prova de ameaça iminente contra esses países”, referiu, acrescentando que o diálogo conduzido por Omã mostrava progressos significativos. “Este ataque foi totalmente injustificado”, disse.
Ramos-Horta reconheceu que o povo iraniano inocente tem suportado décadas de opressão sob um regime teocrático e sofrido com as sanções impostas ao país.
O Chefe de Estado advertiu ainda que “estes ataques apenas causarão mais sofrimento ao povo iraniano, como aconteceu em Gaza”, alertando para o risco de se criar “um precedente alarmante, em que países com maior capacidade militar violam de forma consistente o direito internacional”.
Ramos-Horta afirmou, por fim, que “o diálogo e a reconciliação são o único caminho para a estabilidade e um futuro melhor”, exortando todas as partes envolvidas a regressarem à mesa das negociações e a aproveitarem todas as oportunidades de redução das tenções.
É de lembrar que, no passado dia 28 de fevereiro, os Estados Unidos da América e Israel lançaram um ataque contra o Irão. As autoridades iranianas confirmaram que o ataque não só resultou na morte do líder iraniano, Ayatollah Ali Khamenei, como também causou a morte de centenas de civis.
Em resposta, o Irão lançou contra-ataques contra Israel e as bases militares norte-americanas em vários países da região.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




