DÍLI, 6 de fevereiro de 2026 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, propôs, durante a Cimeira Mundial de Governos 2026, no Dubai, a transferência da sede da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Emirados Árabes Unidos (EAU).
Segundo fonte presidencial, a intervenção, que se destacou pelo tom visionário e pela sua reflexão sobre o futuro da diplomacia global, também elogiou a transformação dos EAU, desde humildes aldeias de pescadores até se tornarem um “lar de paz” no cenário internacional.
Ramos-Horta baseou a sua proposta na histórica Declaração da Fraternidade Humana de 2019, que ajudou a promover e apelou para a criação de uma nova ordem mundial que tivesse a Península Arábica como o seu epicentro.
A sua proposta de realocar a sede da ONU para os EAU foi sustentada pela ideia de que o centro da diplomacia global deveria estar mais próximo dos dois terços da população mundial que vive no Sul Global, região que partilha experiências comuns de colonização e lutas pela liberdade.
Durante o seu discurso, o Chefe de Estado delineou três pilares essenciais para garantir a estabilidade internacional: tolerância, mediação e solidariedade humanitária. Ramos-Horta referiu que os EAU têm demonstrado ser mediadores diplomáticos ao facilitar trocas de prisioneiros entre a Rússia e a Ucrânia, além dos esforços de ajuda humanitária significativos que o país tem prestado à Faixa de Gaza.
Ramos-Horta sublinhou que “o modelo dos EAU é um exemplo de como a paz duradoura pode ser alcançada através da diplomacia silenciosa e do compromisso mútuo, em contraste com as abordagens de confrontação e ganância próprias de confrontos de soma zero”.
O PR apelou aos líderes mundiais para que adotassem uma abordagem mais pragmática e voltada para a reconciliação, de forma a reparar os danos morais causados pela desordem internacional atual. Nesse contexto, o Chefe de Estado defendeu a necessidade de se avançar para um sistema que priorize a desescalada de conflitos e o respeito pela soberania dos Estados.
Ramos-Horta também refletiu sobre a experiência de Timor-Leste, sublinhando a importância da paciência e da reconstrução. Recordou como, após um período de devastação, o país conseguiu “emergir como uma democracia vibrante”.
Concluindo a sua intervenção, o Chefe de Estado apelou a uma liderança ética e a uma reforma urgente das instituições globais, reafirmando o compromisso de Timor-Leste na promoção da paz e da dignidade humana no contexto internacional.
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