DÍLI, 5 de fevereiro de 2026 (TATOLI) — Está a decorrer, até ao dia 6, no Salão Multiusos, em Díli, a 6.ª Conferência Internacional de Geociências, uma iniciativa organizada pelo Instituto de Geociências de Timor-Leste (IGTL), sob o tema Geociências para a Construção da Nação: Dados, Recursos e Resiliência para o Futuro de Timor-Leste.
O encontro reúne participantes nacionais e internacionais e visa reforçar o diálogo e a partilha de conhecimento sobre o contributo das geociências para o desenvolvimento sustentável, o crescimento económico e a resiliência nacional.
Intervindo na cerimónia, o Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, defendeu que a ligação ancestral do povo timorense à terra e ao mar deve ser acompanhada por investigação científica e capacidade técnica, para garantir decisões informadas sobre o território e os recursos do país.
“O nosso povo sempre teve uma relação próxima com a terra e com o mar. Essa ligação sustentou-nos durante séculos, através do conflito, da exploração e dos anos da resistência”, afirmou.
O Chefe do Governo recordou que, passados 24 anos desde a Restauração da Independência, Timor-Leste consolidou um Estado democrático e pacífico, guiado pelo Plano Estratégico de Desenvolvimento 2011–2030, que define como prioridades estruturantes o turismo, a agricultura, o petróleo e os recursos naturais.
Xanana Gusmão sublinhou também a importância de se garantir a soberania marítima e lembrou o processo de conciliação obrigatória iniciado ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar para se assegurar as fronteiras marítimas do país com a Austrália, bem como as negociações em curso com a Indonésia.
Sobre o projeto Greater Sunrise, o PM reiterou a posição do Executivo de que o gás natural deve ser processado em território timorense, por ser “essencial para o desenvolvimento nacional”.
“A posição do Governo sempre foi clara: o gás natural do Greater Sunrise tem de ser processado em terra, em Timor-Leste. Isso é essencial para o desenvolvimento nacional”, sublinhou, acrescentando que o projeto poderá “gerar empregos, receitas a longo prazo e estabelecer uma base industrial na costa sul do país”.
O Chefe do Executivo destacou ainda o papel do IGTL na promoção da investigação e na construção de conhecimento científico ao serviço do Estado e do povo timorense.
Xanana Gusmão defendeu igualmente que a cooperação internacional é uma “necessidade estratégica”, salientando que parcerias com serviços geológicos nacionais, universidades e centros internacionais de investigação permitem acelerar a aprendizagem, partilhar boas práticas e evitar erros já cometidos noutros contextos.
O Chefe do Governo concluiu que a ciência deve estar ao serviço das pessoas, traduzindo-se em decisões que melhorem vidas, protejam comunidades e criem emprego, reiterando o compromisso do Executivo em continuar a investir na formação de jovens timorenses nas áreas das geociências, engenharia, ambiente e energia.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




