DÍLI, 16 de janeiro de 2026 (TATOLI) – O Diretor-Executivo do Centro Nacional Chega (CNC), Hugo Fernandes, afirmou que a entidade vai realizar conferências, seminários e discussões abertas sobre as ações das autoridades militares em Myanmar contra os civis, como forma de prestar solidariedade para com as vítimas.
A posição foi apresentada depois deste ter recebido uma delegação da Chin Human Rights Organization (CHRO) para discutir a crise em Myanmar e os esforços regionais em prol da justiça e da responsabilização.
“Partilhamos o que Timor-Leste enfrentou no passado [durante a ocupação indonésia] e a delegação fez muitas perguntas sobre como funciona o Chega e o que faz. Pediram também a nossa opinião sobre se o processo [queixas apresentadas ao Ministério Público timorense] pode ou não avançar”, disse o dirigente à Tatoli, em Díli.
Hugo Fernandes afirmou que os representantes das vítimas não desejam que as suas queixas apresentadas às autoridades judiciais timorenses influenciem a posição de Timor-Leste como novo Estado-Membro da Associação das Nações do Sudeste Asiático. No entanto, o responsável respondeu que a CNC, enquanto uma entidade de memória, prestará solidariedade aos esforços das vítimas, assim como faz com outros países que solicitam apoio em termos de solidariedade.
Segundo dados da CHRO, desde julho de 2022, a Junta Militar realizou ataques aéreos documentados em mais de mil ocasiões no Estado de Chin. Mais de 4.600 habitações foram destruídas por ataques aéreos ou incendiadas deliberadamente. Foram mortos 478 civis, incluindo 91 mulheres e 79 crianças.
Pelo menos 19 instalações de saúde, 25 escolas e 127 edifícios religiosos sofreram elevados danos ou ficaram completamente destruídos.
A situação de violência no Estado de Chin ocorre igualmente em todo o Myanmar. De acordo com os dados mais recentes da Organização das Nações Unidas (ONU) e de outras fontes, até 31 de março de 2025, pelo menos 6.473 civis foram mortos pelas forças da Junta Militar.
Mais de 30 mil pessoas foram detidas. Quase duas mil morreram em detenção militar, incluindo casos documentados de pessoas que foram torturadas até à morte. Um total de 172 pessoas foi condenado à pena de morte por tribunais controlados pela Junta Militar.
A ONU estima que a violência em Myanmar tenha provocado o deslocamento interno de mais de 3,5 milhões de pessoas e que mais de 20 milhões necessitem de assistência. A mesma fonte acrescenta que os militares bloqueiam o acesso humanitário, inclusive após desastres naturais, como o terramoto de março de 2025.
Ainda segundo a ONU, mais de cinco milhões de cidadãos de Myanmar atravessaram fronteiras internacionais em busca de segurança, através de canais regulares e irregulares, dando origem a uma crise regional de refugiados com desafios extremamente graves em matéria de direitos humanos e assistência humanitária.
Notícia relevante: Crise em Myanmar: representantes de vítimas denunciam violações de direitos humanos
Jornalista: Ivonia da Silva
Editora: Isaura Lemos de Deus




