DÍLI, 5 de janeiro de 2026 (TATOLI) – O Primeiro-Ministro (PM), Xanana Gusmão, apelou hoje a todos os funcionários públicos para que assumissem uma mudança profunda de mentalidade, reforçando o compromisso e a responsabilidade no exercício das suas funções, considerando 2026 como “um ano decisivo para a consolidação de uma governação responsável e orientada para o serviço ao povo”.
O apelo foi feito durante o discurso proferido na cerimónia de içar da bandeira, realizada hoje no Palácio do Governo, que marcou o regresso ao trabalho após o período de férias.
Xanana Gusmão sublinhou que o início de cada ano deve servir como um momento de reflexão individual e coletiva, não apenas enquanto cristãos, mas também como cidadãos investidos de responsabilidades públicas.
“Quando um ano termina, devemo-nos questionar sobre o que fizemos: se fizemos bem ou mal; se erramos, corrigimos; e se, depois de corrigir, avançamos. Essa é uma grande responsabilidade que todos devemos assumir neste novo ano”, afirmou.
O Chefe do Governo referiu que, ao longo dos últimos dois anos e meio de governação, o Executivo tem procurado “corrigir erros e irregularidades herdados do Governo anterior”, nomeadamente através da realização de auditorias em várias instituições do Estado. Contudo, apontou como um dos principais problemas a inexistência de arquivos e documentos, o que dificulta a identificação de falhas e uma avaliação rigorosa dos resultados.
O PM salientou ainda que o serviço público não deve ser encarado como um meio de subsistência ou de garantia para a educação dos filhos, lamentando que muitos jovens concluam o ensino superior sem desenvolver uma verdadeira vocação de serviço ao país.
“O que queremos é mudar a mentalidade da sociedade, formar cidadãos com conhecimento e consciência, preparados para servir o país e não apenas para procurar emprego”, disse.
O Chefe do Executivo reconheceu que as reformas administrativas realizadas até ao momento ainda não produziram mudanças efetivas em todos os níveis da administração pública, sobretudo ao nível ministerial e operacional, onde persistem práticas como atrasos frequentes, saídas antecipadas e fraca produtividade. “Esses comportamentos têm de acabar”, alertou.
Referindo-se especificamente aos desafios futuros, Xanana Gusmão alertou que 2026 não será um ano fácil, sublinhando a necessidade de se continuar a corrigir falhas para se recuperar a confiança do povo, recordando o sacrifício daqueles que deram a vida pela libertação da pátria sem exigir nada em troca.
“2026 deve ser um ano de mudança, deve ser um ano de atitude, de compromisso e de práticas, para que o povo sinta que os seus filhos, formados e no exercício de funções públicas, pensam no país e não apenas nos seus interesses pessoais ou familiares”, afirmou.
Relativamente à execução do Orçamento Geral do Estado de 2025, o PM destacou que o encerramento das contas gerais do Estado, a 31 de dezembro, revelou fragilidades significativas na capacidade de execução, sobretudo devido à falta de planeamento. Segundo explicou, em alguns setores, a execução orçamental não ultrapassou os 75%, enquanto noutros ficou abaixo dos 50%.
“O problema não é apenas pedir dinheiro, mas saber planear e executar corretamente. Este ano, temos de corrigir essas falhas”, frisou.
Xanana Gusmão concluiu apelando a um compromisso firme de todos os funcionários públicos, pedindo que, nos próximos três meses, devem ser visíveis mudanças concretas no comportamento e no desempenho profissional.
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




