DÍLI, 31 de dezembro de 2025 (TATOLI) – Timor-Leste assinalou hoje o Dia dos Heróis Nacionais, sob o tema O nosso sacrifício como inspiração para o Povo de Timor-Leste avançar, com uma cerimónia solene em Díli, destinada a honrar todos aqueles que arriscaram e deram a vida pela libertação da pátria.
No centro das homenagens esteve a figura de Nicolau dos Reis Lobato, um dos líderes mais reverenciados da luta pela independência. Nicolau Lobato faleceu em combate a 31 de dezembro de 1978, em Mindelo, Turiscai, no Município de Manufahi.
A cerimónia central decorreu na Rotunda Nicolau Lobato, em Díli, com a presença de altas figuras do Estado, membros do Governo, veteranos, representantes das forças de defesa e segurança, bem como com jovens e estudantes. O ato solene incluiu a deposição de coroas de flores e momentos de silêncio em homenagem aos heróis nacionais.

Intervindo no evento, o Presidente da República (PR), José Ramos-Horta, afirmou que o sacrifício dos heróis nacionais não deve permanecer apenas como memória histórica, deve ser traduzido em ações concretas para a construção de um país justo, próspero e inclusivo.
“Os nossos heróis tombaram para que as gerações seguintes pudessem viver em liberdade. Não morreram em vão. Cabe-nos hoje preservar e concretizar os ideais que nos legaram: um Timor-Leste livre, soberano e próspero”, afirmou o Chefe de Estado.
Ramos-Horta recordou Nicolau Lobato, Comandante Supremo das Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste e líder da resistência nacional, como símbolo do mais alto sacrifício pela independência. Prestou igualmente homenagem a Francisco Xavier Amaral e à geração de jovens combatentes que ousaram sonhar e lutar pela liberdade e independência do país.
Segundo o Presidente, a luta do povo timorense teve início com a coragem dos líderes e da juventude que proclamaram unilateralmente a independência a 28 de novembro de 1975, num contexto marcado pela invasão estrangeira, violação da integridade territorial e pela passividade da comunidade internacional.
“A Proclamação da Independência foi uma afirmação clara perante o mundo de que o povo de Timor-Leste possui um direito inalienável à autodeterminação”, sublinhou.
O Chefe de Estado destacou ainda a importância de preservar a memória dos heróis nacionais, reforçando que o país deve continuar a construir um futuro de unidade, justiça e prosperidade, inspirado nos sacrifícios daqueles que deram a vida pela liberdade.
Ramos-Horta salientou igualmente o papel de Xanana Gusmão, que conseguiu reorganizar a resistência nacional num dos períodos mais difíceis da história do país.
“No meio da destruição e do sofrimento, o povo reencontrou esperança e unidade sob a sua liderança”, afirmou.
O PR sublinhou que a liberdade, a democracia e a independência hoje conquistadas implicam uma responsabilidade coletiva. Entre os principais desafios nacionais, apontou a pobreza multidimensional, a subnutrição infantil, a iliteracia, a violência doméstica e a exclusão social.
“O desenvolvimento não se mede apenas pelo crescimento económico, mas pela melhoria efetiva das condições de vida da população, sobretudo dos mais vulneráveis”, frisou.
Ramos-Horta abordou ainda a necessidade de diversificação da economia, a redução da dependência do petróleo e do gás e o investimento numa economia verde e azul, sustentável e amiga do ambiente.
“Os tempos que se avizinham exigem produtividade, competitividade e responsabilidade partilhada. Não é apenas tempo de celebrar, mas sobretudo de agir”, afirmou.
O Chefe de Estado reiterou o seu compromisso de reforçar, em 2026, a cooperação institucional com o Executivo, o Parlamento Nacional, os tribunais e os partidos políticos, através de um diálogo construtivo e respeitador. Destacou também o papel de Timor-Leste no plano internacional, nomeadamente no âmbito da organização g7+, e nas relações de amizade e cooperação estratégica com a Indonésia.
“Que o exemplo de Nicolau Lobato, Xanana Gusmão e de todos os heróis nacionais nos inspire a transformar ideias em ações e sonhos em realidade”, concluiu.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




