DÍLI, 18 de dezembro de 2025 (TATOLI) – O ex-Primeiro-Ministro, Mari Alkatiri, e o ex-Ministro da Educação, Armindo Maia, defenderam esta quarta-feira a necessidade de reformas estruturais profundas no sistema educativo timorense, sublinhando falhas consideradas históricas, desafios persistentes e a urgência de alinhar a política educativa com os contextos regional e global.
As declarações foram proferidas durante a 3.ª edição das Jornadas Científicas da Faculdade de Educação, Artes e Humanidades (FEAH), da Universidade Nacional Timor Lorosa’e (UNTL), a decorrer até ao dia 20, no auditório da Faculdade de Economia e Gestão, sob o tema Política Educativa de Timor-Leste na Perspetiva de Integração da Plataforma Global e Regional: Desafios e Perspetivas no Contexto da CPLP e da ASEAN.
Mari Alkatiri, na sua apresentação intitulada Política da Educação: Um olhar Visionário do Passado, Presente e Futuro, sublinhou que a política educativa deve ser encarada como parte integrante da política do Estado, alertando para a ausência de uma formação sólida do carácter no sistema educativo.
“No início da vida educacional, o que nós pretendemos acima de tudo é formar carácter. Isto falha sempre e compromete o futuro do país”, afirmou.
O antigo Chefe do Governo destacou igualmente a importância das línguas oficiais e nacionais, defendendo que a educação deve respeitar a identidade cultural timorense sem comprometer a projeção internacional do país. “Timor-Leste não pode isolar-se do mundo. Temos de nos projetar para fora”, frisou.
Mari Alkatiri manifestou ainda preocupação com o crescimento do número de universidades sem um reforço do ensino técnico-profissional, alertando para a dificuldade de integração dos licenciados no mercado de trabalho. Defendeu, por isso, um maior investimento na educação, na ciência e na tecnologia.
“A educação é a primeira prioridade nacional. O futuro do país depende da qualidade da educação e da formação de quadros competentes”, afirmou.
Por sua vez, Armindo Maia, na sua apresentação sob o tema Relações Transnacionais e Política da Educação em Timor-Leste: Articulações Estratégicas entre CPLP e ASEAN, considera que o sistema educativo timorense continua a enfrentar desafios estruturais, apesar de alguns avanços registados. O ex-Reitor da UNTL apontou limitações na qualidade pedagógica, nas infraestruturas, nas políticas linguísticas e na articulação entre o ensino técnico-profissional e o mercado de trabalho.
“O ensino superior expandiu-se, mas com baixa capacidade de investigação, falta de centros consolidados e orçamentos reduzidos”, disse.
Relativamente à integração regional, Armindo Maia destacou que a adesão à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) oferece oportunidades de mobilidade académica e harmonização curricular, mas exige reforço do domínio do inglês e atualização dos currículos. No âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), sublinhou o papel da cooperação lusófona na formação de professores, na mobilidade académica e no reforço da identidade cultural.
O ex-governante defendeu que Timor-Leste, enquanto membro da ASEAN e da CPLP, pode afirmar-se como uma ponte estratégica entre dois espaços regionais, concluindo que reformas consistentes, investimento sustentável e articulação regional eficaz são essenciais para transformar a educação num instrumento decisivo de desenvolvimento nacional.
O Decano da FEAH da UNTL, Teodoro Soares, explicou que o principal objetivo do evento é a promoção de uma reflexão entre académicos e líderes históricos do país, para analisar os desafios da educação em Timor-Leste no passado, presente e futuro.
Notícia relevante: Estratégia nacional visa promover escolas seguras e inclusivas
Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




