DÍLI, 10 de dezembro de 2025 (TATOLI) – O Presidente da República, José Ramos-Horta, defendeu, esta quarta-feira, que a Guiné-Bissau deve ser suspensa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), afirmando que a instabilidade política e os sucessivos golpes de Estado no país “colocam em risco a credibilidade da organização”.
“A CPLP não pode tolerar isto. A Guiné-Bissau deve ser suspensa. Golpes atrás de golpes. As eleições decorreram, o povo votou, mas um Presidente, sabendo que perdeu, manipula uma crise, encena um golpe contra si próprio, mente e foge. Os militares estão todos com ele. É inaceitável”, declarou Ramos-Horta, no Palácio Presidencial, em Díli.
O Chefe de Estado revelou que a CPLP atribuiu recentemente a Timor-Leste, e em particular a si próprio, a responsabilidade de dialogar com as autoridades guineenses para encontrar uma saída para a crise. Contudo, disse ter recusado a missão.
“O que se passa ali ultrapassou todos os limites. Não tenho tempo, nem devo legitimar este tipo de práticas. Exijo que a CPLP assuma uma posição digna. Não feche os olhos. Se o fizer, perderá a credibilidade”, sublinhou.
Ramos-Horta condenou duramente o ex-Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, acusando-o de provocar a crise e fugir às suas responsabilidades. “Criou o problema e deixou o país entregue ao caos”, criticou.
Recorde-se que o Conselho de Ministros da CPLP se reuniu na passada sexta-feira, em sessão extraordinária, e condenou a interrupção do processo eleitoral na Guiné-Bissau, na sequência do golpe de Estado de 26 de novembro.
Num comunicado a que a Tatoli teve acesso, a CPLP, presidida pela Ministra dos Negócios Estrangeiros de São Tomé e Príncipe, Ilza Amado Vaz, manifestou “profunda preocupação” com a situação política e institucional no país e rejeitou a rutura que compromete a estabilidade e a ordem constitucional.
Na sequência, organização exigiu a libertação imediata e incondicional das pessoas detidas durante a crise e defendeu a reposição urgente da ordem constitucional como condição para a paz e o desenvolvimento.
A atual crise na Guiné-Bissau decorre de um processo eleitoral marcado por confrontos e irregularidades. As eleições gerais decorreram a 23 de novembro deste ano, mas foram interrompidas por incidentes: responsáveis da comissão eleitoral declararam que não era possível concluir o processo depois de homens armados terem atacado e apreendido material eleitoral e registos, numa ação que prejudicou a contagem e a divulgação dos resultados. No dia 26 de novembro, oficiais do exército tomaram o poder, intensificando a crise institucional.
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Jornalista: Afonso do Rosário
Editora: Isaura Lemos de Deus




