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DÍLI, HEADLINE

Ramos-Horta evoca heróis da independência e projeta para Timor-Leste futuro de prosperidade e reconciliação

Ramos-Horta evoca heróis da independência e projeta para Timor-Leste futuro de prosperidade e reconciliação

 

DÍLI, 28 de novembro de 2025 (TATOLI) – O Presidente da República (PR), José Ramos-Horta destacou, no âmbito das comemorações do 50.º aniversário da Proclamação da Independência, a resistência histórica, a evolução democrática e o desenvolvimento económico do país.

Ao discursar no evento que teve hoje lugar no Palácio do Governo, em Díli, o Chefe de Estado prestou homenagem aos Mártires da Libertação Nacional e defendeu que Timor-Leste deve continuar a trilhar o caminho da reconciliação, da estabilidade e do desenvolvimento sustentável.

Perante altas entidades timorenses e delegações internacionais, Ramos-Horta afirmou que a efeméride “não é apenas uma data no calendário, mas a respiração viva da identidade nacional. É o eco vivo da coragem, memória do espírito inquebrantável de um povo que, mesmo nas horas mais escuras, nunca perdeu a fé nem deixou morrer a esperança”.

O Chefe de Estado recordou ainda que há 50 anos “um pequeno grupo de jovens sonhadores” ousou proclamar a liberdade do país, apesar da falta de meios e de experiência.

“Não tínhamos diplomas, mas tínhamos a coragem de imaginar o impossível. Não tínhamos experiência de Estado, mas tínhamos a certeza de que um povo inteiro tinha direito à dignidade, à autodeterminação e ao respeito entre nações”, frisou.

O PR evocou ainda os combatentes das Forças Armadas de Libertação Nacional de Timor-Leste, os membros do Governo de 1975, as figuras da resistência clandestina e todos os que tombaram ao longo da luta, muitos deles anónimos.

Ramos-Horta destacou ainda o papel da Igreja Católica, citando Dom Martinho da Costa Lopes e Dom Ximenes Belo, bem como personalidades civis como Fernando Lassama de Araújo, João Carrascalão e Mário Carrascalão, afirmando que as fotografias espalhadas por Díli, no âmbito do da efeméride, constituem “um tributo simbólico, mas jamais completo”, porque “muitas vozes e rostos permanecem invisíveis na história, embora tenham sustentado os alicerces da liberdade”.

Ao recordar o percurso até à Restauração da Independência em 2002, Ramos-Horta sublinhou a presença da então Presidente da Indonésia, Megawati Sukarnoputri, em Tasi Tolu, considerando esse momento “um gesto de grande elevação política” e o início da normalização das relações bilaterais.

O Chefe de Estado destacou igualmente a decisão do então Presidente da Indonésia, B. J. Habibie de permitir a Consulta Popular em 1999, afirmando que “a verdadeira vitória nunca exige a humilhação do derrotado”.

O PR enalteceu também a liderança de Xanana Gusmão, que reorganizou a resistência armada, reconciliou a luta com a fé e a cultura tradicionais, e guiou o povo até à independência restaurada, comparando o país à “fénix que renasce das cinzas”.

Ramos-Horta afirmou que Timor-Leste se tornou “uma democracia jovem, mas sólida”, destacando o papel da liberdade de imprensa, das instituições do Estado e do envolvimento cívico da população. Recordou também o contraste da atual realidade com períodos anteriores à invasão, quando a esperança média de vida não ultrapassava os 36 anos. “Hoje, as mulheres vivem em média 71 anos e os homens 70, um indicador incontestável da nossa evolução”, afirmou.

O PR referiu ainda que há progressos na saúde e na educação. Entre os avanços destacados, Ramos-Horta assinalou: crescimento do número de médicos: de zero em 1974 para cerca de 1.400 em 2025, muitos formados em Cuba ou na primeira faculdade de medicina timorense; expansão do ensino superior, de inexistente no período colonial para 18 universidades e institutos, com cerca de 60 mil estudantes.

Recordou ainda os 212 doutorados e 1.464 mestres que foram, ao longos de mais de duas décadas, formados em universidades de referência em vários continentes, acrescentando algumas das vitórias alcançadas na saúde pública, como a eliminação da malária, da rubéola, da filariose linfática, da lepra e da elefantíase.

Na vertente económica, Ramos-Horta considera que Timor-Leste mantém uma economia estável e pouco endividada, com uma dívida pública equivalente a apenas 13% do Produto Interno Bruto. Destacou ainda: o crescimento económico projetado de 4,4% em 2025; a inflação controlada, estimada em 0,5% até ao fim deste ano; e os depósitos bancários que atingem os 1,736 mil milhões de dólares americanos.

O Chefe de Estado também valorizou as remessas de cerca de 150 milhões de dólares anuais dos quase 40 mil timorenses no estrangeiro.

Infraestruturas e modernização

O PR destacou ainda o impacto dos grandes projetos iniciados em 2007, incluindo: a expansão da rede elétrica no território; a construção de estradas nacionais estruturantes; o porto de Tíbar; o cabo submarino de fibra ótica; e programas de formação tecnológica no estrangeiro.

Estas iniciativas, disse, demonstram “a visão que permitiu conectar Timor-Leste ao mundo e preparar o país para uma economia moderna”.

“Que a memória destes feitos nos recorde, para sempre, que a fé e a esperança não morrem. Mesmo quando a noite parece não ter fim, Timor-Leste sabe renascer mais forte, mais livre e mais profundamente unido”, disse.

Fronteiras marítimas, biodiversidade e desafios globais

O Chefe de Estado defendeu uma visão estratégica para o futuro de Timor-Leste, centrada na consolidação das fronteiras marítimas, no desenvolvimento nacional sustentável, na atração de investimento privado, na proteção da biodiversidade e no reforço do papel do país perante os desafios globais.

Ramos-Horta destacou que as fronteiras marítimas e os recursos oceânicos devem ser geridos de forma responsável, assegurando que as futuras gerações beneficiem da riqueza natural do país. Sublinhou que Timor-Leste continuará a reforçar o diálogo técnico e diplomático com os parceiros regionais para garantir estabilidade e aproveitamento sustentável do mar.

O Chefe de Estado realçou a necessidade de acelerar o desenvolvimento nacional, diversificando a economia, reduzindo a dependência do petróleo e promovendo setores produtivos como agricultura, turismo, tecnologia e economia azul. “O país deve criar oportunidades reais para os jovens e melhorar a qualidade de vida em todas as regiões”, afirmou.

Sobre o investimento privado, incluindo o estrangeiro, Ramos-Horta referiu que Timor-Leste está aberto ao mundo e “empenhado em criar um ambiente de negócios mais competitivo, transparente e favorável ao empreendedorismo”. Destacou ainda que o investimento responsável é essencial para gerar emprego e modernizar as infraestruturas.

O PR lembrou que a biodiversidade timorense é uma das maiores riquezas do país e chamou a atenção para a urgência de se proteger florestas, ecossistemas marinhos e habitats naturais. Advertiu que as alterações climáticas representam riscos diretos para as comunidades rurais e costeiras, defendendo políticas ambientais firmes e de longo prazo.

No contexto internacional, Ramos-Horta refletiu sobre os desafios globais, incluindo crises geopolíticas, desigualdades socioeconómicas, migrações forçadas e instabilidade mundial. Reforçou que países pequenos como Timor-Leste devem continuar a participar ativamente na diplomacia multilateral e na defesa do direito internacional.

A cerimónia contou com a presença de um dos Vice-presidentes da Assembleia da República de Portugal, Rodrigo Saraiva, e a Ex-Primeira-Ministra de São Tomé e Príncipe Maria das Neves, para além de membros do Governo e outras figuras do Estado e do Governo.

Jornalista: Afonso do Rosário

Editor: Rafael Ximenes de A. Belo

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